A distrital do PSD Porto esteve reunida nesta segunda-feira à noite e, formalmente, não dará apoio a nenhum dos candidatos à liderança do partido. No entanto, o presidente da maior distrital do partido, António Bragança Fernandes, anunciou que nas eleições internas de janeiro vai votar em Santana Lopes.

Na declaração que leu aos membros da distrital, à qual o Observador teve acesso, Bragança Fernandes frisou que “a título unicamente pessoal” apoiará a candidatura de Pedro Santana Lopes

A escolha é feita tendo em conta o momento político atual, com os partidos de esquerda a governar. Bragança Fernandes considera que “o perfil do próximo líder do PSD deve ser de cariz humanista”, com um discurso “virado para as pessoas e para a resolução dos problemas concretos da vida dos portugueses”.

Estou plenamente convicto que, para combater um Governo populista apoiado pelas esquerdas radicais, o líder ideal deverá ter um perfil humanista e menos economicista. O discurso do PSD deve ter uma base humanista da Social Democracia, sem esquecer, obviamente, o rigor com que se deve pautar a governação.”

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Salvaguardando que é “amigo de ambos os candidatos”, o autarca da Maia em final de funções acredita que Santana tem “melhores condições para combater as esquerdas unidas e recuperar a confiança do país para o PSD”.

No final, lembra que a “Comissão Política Distrital pautará a sua atuação durante este processo eleitoral interno” por princípios de “imparcialidade, equidistância institucional, lealdade e solidariedade”. Ou seja, o PSD Porto não tomará partido.

Este apoio não é irrelevante na maior distrital do país, associado à declaração de apoio a Santana Lopes por parte de Miguel Santos — deputado, líder da concelhia de Valongo e vice-presidente da distrital do Porto do PSD — que foi durante anos o braço direito de Marco António Costa na maior distrital do partido. Em declarações ao Expresso, o social-democrata foi claro: “Santana Lopes é o melhor líder para o PSD”.

Um membro da distrital que assistiu à reunião conta ao Observador que há opiniões diversas, e aponta um motivo para não ficar do lado do homem que esteve durante 12 anos à frente da Câmara do Porto, e que participou na campanha autárquica ao lado de Álvaro Almeida: “Há quatro anos apoiou um independente [Rui Moreira], contra o partido.” Em 2013, o candidato do PSD à Câmara do Porto era Luís Filipe Menezes, que acabara de deixar a liderança da Câmara de Gaia, e de quem Marco António Costa era vice.

O que é que Santana já tem (e não tem) para tentar conquistar o PSD

Manuela Ferreira Leite, antiga líder dos sociais democratas, já declarou o apoio a Rui Rio, assim como Alberto João Jardim. Do lado de Santana estão, por exemplo, Miguel Relvas ou Pedro Pinto, líder da distrital de Lisboa.

Pedro Santana Lopes tinha a apresentação formal da candidatura à liderança do PSD marcada para sábado. Por causa dos incêndios que deflagraram nas zonas norte e centro do país, decidiu adiar. A apresentação será no domingo à tarde, em Santarém.