A recém-eleita primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, estabeleceu como prioridades para o seu governo o combate às alterações climáticas e à desigualdade de género. A mais jovem primeira-ministra da história da Nova Zelândia, que subiu à liderança do Labour apenas há dois meses, falou esta sexta-feira em convenção partidária pela primeira vez depois de saber que iria liderar um governo que será uma espécie de “geringonça” neozelandesa.

O Labour apenas conseguiu 46 assentos de um parlamento de 120, menos 10 do que o partido em poder, o National. Contudo, o New Zealand First, partido nacionalista liderado por Winston Peters, demonstrou disponibilidade para se coligar com o partido de Ardern, que também conta com o apoio do Green. Será um governo minoritário, em que Labour e NZ First terão apenas 55 assentos no parlamento, pelo que o apoio dos oito deputados do Green será fundamental.

A notícia de que Ardern seria a primeira-ministra foi anunciada por Winston Peters, que disse acreditar que o Labour estava mais habilitado para lidar com os problemas sociais e económicos neozelandeses. “Tivemos a escolha de um status-quo modificado ou de uma mudança… por isso é que no fim escolhemos um governo de coligação com o NZ First e o Labour”, disse Peters em conferência de imprensa.

Na convenção partidária de sexta-feira, Ardern disse querer construir um país em que “o ambiente é protegido”, onde olham pelos “mais vulneráveis”, onde “suportam as famílias” e se asseguram de que as pessoas têm garantidas as necessidades mais básicas, como um “telhado sobre a cabeça”.

A desigualdade de género é outra questão que a primeira-ministra eleita considera ser fulcral, afirmando que pretende que 50% dos membros das suas convenções partidárias sejam mulheres. Nessa mesma convenção, Ardern demonstrou ambição em obter “grandes ganhos como governo em assuntos como igualdade salarial, em problemas como proteger mulheres em papéis que elas queiram desempenhar”, seja ele qual for.

O novo governo prometeu acabar com a pobreza infantil, tornar o ensino superior grátis, descriminalizar o aborto, e diminuir a imigração. No seu plano de 100 dias, o Labour vai aumentar em 50 dólares a “mesada” para estudantes, abrir inquéritos ao sistema de ajuda para crises de saúde mental e ao abuso de crianças dependentes do estado, e passar uma legislação que determina que as casas para arrendar sejam secas e quentes.

Em troca do apoio do Green, Ardern prometeu realizar um referendo para a legalização da canábis para uso pessoal em 2020, bem como tratar o uso abusivo de drogas como um problema de saúde através do aumento do financiamento de centros de tratamento para álcool e drogas.

O Labour ficou comprometido ainda a aumentar o financiamento para outras questões sociais, resolver as desigualdades salariais de género no setor público e a criar uma comissão independente para as alterações climáticas. Não se sabe ainda quais são os acordos feitos com o NZ First, mas já foi oferecido o lugar de vice-primeiro ministro a Winston Peters.

A ascensão meteórica de Jacinda Ardern em popularidade e à liderança do país, conhecida como “efeito Jacinda” ou “Jacindamania”, tem-lhe valido comparações com “políticos rockstar” como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, ou Barack Obama, antigo presidente dos EUA.