O presidente dos Estados Unidos disse esta sexta-feira que o crime no Reino Unido aumentou 13% no último ano devido ao crescimento do terrorismo islâmico, citando um relatório do gabinete de estatísticas do Reino Unido que em momento algum atribui esse crescimento a radicais islâmicos. Deputados britânicos de todos os partidos já condenaram as declarações de Donald Trump.

Não é a primeira vez que Donald Trump usa o terrorismo no Reino Unido nas suas declarações públicas em defesa da sua agenda doméstica. Pouco depois da sua tomada de posse, Donald Trump entrou em conflito com o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan.

Depois dos ataques terroristas em Londres, em março deste ano, Donald Trump criticou, no Twitter, Sadiq Khan por alegadamente dizer aos cidadãos de Londres que não haveria razão para estarem preocupados. O gabinete do autarca de Londres disse que as afirmações de Trump não estavam corretas e Donald Trump respondeu dizendo que essa era uma “desculpa patética” do presidente da Câmara de Londres.

A revolta dos britânicos com Donald Trump depois dos comentários, em pleno período de resposta aos ataques, levou ao cancelamento da visita ao Reino Unido que o presidente dos Estados Unidos tinha prevista. Esta sexta-feira, Donald Trump voltou ao tema e conseguiu novamente motivar a revolta entre os políticos britânicos.

Numa publicação no Twitter esta manhã, Donald Trump cita um relatório para dizer que o crime aumentou 13% no Reino Unido devido ao aumento do terrorismo radical islâmico.

“Relatório acabado de publicar: “Crime no Reino Unido sobe 13% anualmente devido ao aumento do terrorismo radical islâmico”. Nada bom, temos de manter a América segura”, escreveu Donald Trump no Twitter.

O relatório a que Donald Trump se refere foi publicado esta quinta-feira pelo gabinete de estatísticas do Reino Unido e aponta, de facto, um aumento do crime na ordem dos 13% no Reino Unido, mas não aponta o terrorismo islâmico como causa desse aumento. O documento nem sequer conta que a totalidade das vítimas dos ataques terroristas de Manchester e Londres, tirando da equação a causa que Donald Trump está a apontar para o aumento do crime.

De Londres, os partidos já reagiram às palavras de Trump e a uma só voz. Todos criticam Donald Trump e recomendam ao Presidente dos Estados Unidos que se concentre nos seus próprios problemas.

Nicholas Soames, do Partido Conservador – atualmente no poder – disse Donald Trump para resolver o problema das armas nos Estados Unidos e apelidou-o de “imbecil”. A vice-presidente dos Liberais Democratas, Jo Swinson, pediu a Donald Trump para parar de “enganar e espalhar o medo”. “Os crimes de ódio cresceram e são alimentados pelo tipo de xenofobia populista que você vende”, disse.

Os trabalhistas também não deixaram passar a oportunidade de responder, com ironia. “Caro Presidente Trump. Parece que um idiota entrou na sua conta do Twitter”, disse o deputado Mike Gapes.

A pressão passa agora para a primeira-ministra Theresa May, que já teve um dia para esquecer em Bruxelas, depois de os líderes da União Europeia terem decidido que não há ainda condições para começar a discutir a futura relação comercial entre o Reino Unido e a União Europeia. Como disse a líder dos Verdes britânicos, Theresa May tem de “condenar publicamente” Donald Trump, apesar das boas relações que ambos manterão.

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