O Exército confirma que foram retiradas partes de blindados estacionados no Campo de Santa Margarida. Em comunicado, o ramo refere que o desvio desses materiais é feito por “sucateiros que, normalmente à noite, entram nas áreas dos alvos do exercício com o propósito de recolher pedaços de metal soltos resultantes do impacto dos projéteis”.

Os esclarecimentos do Exército surgem na sequência de uma notícia publicada esta quinta-feira pelo Observador dando conta de que a GNR e a Polícia Judiciária Militar estavam a investigar o desvio de partes de carros de combate usados instalados na “linha de alvos” do Campo de Santa Margarida. O comunicado enviado pelo ramo refere que “o Exército utiliza, para o tiro real de munições de grande calibre, algumas ‘carcaças’ de dimensão considerável, como viaturas e carros de combate, sendo a sucata do M47 um exemplo”.

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E sublinha que aquela base militar tem um total de 67 quilómetros quadrados, “sendo utilizada por militares em exercícios, mas também por civis”. Uma parte da base, de três quilómetros quadrados, corresponde à área edificada: está “fechada, vigiada e segura”, garante o Exército. E, depois, há uma “vasta área” de 64 quilómetros quadrados, onde são feitos os exercícios de tiro por parte dos vários ramos das Forças Armadas.

“A zona não edificada do Campo Militar de Santa Margarida, pelas suas dimensões e pelas vantagens da utilização partilhada entre militares e civis, não é vedada”, reconhece o Exército, sublinhando, ainda assim, como o Observador já tinha referido, que é montado um perímetro de segurança quando ali são realizados exercícios de tiro.

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Quando são detetadas presenças não autorizadas no terreno da base militar, o Exército “informa a GNR, apresenta queixa nos termos da lei e colabora com as autoridades nas investigações desenvolvidas que, no caso agora referenciado, conduziram a GNR à apreensão da sucata indevidamente recolhida e à detenção do presumível autor do ilícito”.

As peças desviadas do Campo de Santa Margarida foram encontradas numa sucata da Chamusca, a cerca de 20 quilómetros da base militar. Foi também na Chamusca que a Polícia Judiciária Militar encontrou, num terreno a céu aberto, a maior parte do material de guerra furtado de Tancos. Os dois casos não têm, segundo fonte da PJM, qualquer relação entre si.

No entanto, as armas recuperadas estão a ser alvo de análise precisamente em Santa Margarida, para confirmar se se trata do material furtado de Tancos. Ao mesmo tempo, aquela base militar é um dos pontos que o Exército admitia poder vir a albergar o material de guerra atualmente guardado em Tancos, por se entender que oferece maiores condições de segurança.