Os expositores presentes no IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local, que termina esta sexta-feira em Cabo Verde, fizeram um balanço positivo do evento, mas nem todos conseguiram boas vendas, embora salientem a experiência.

Maria Cruz, bibliotecária da Universidade de Cabo Verde (UNI-CV) que toma conta de uma feira de livros, disse à agência Lusa que a maior movimentação foi registada no primeiro dia e até esta sexta-feira vendeu cerca de 40 livros, a maioria de autores cabo-verdianos.

A feirante lamentou, porém, a ausência de autores traduzidos para inglês e/ou francês, lembrando que a maioria dos visitantes foi estrangeiros, que queriam saber mais sobre história cabo-verdiana nessas duas línguas. Mesmo assim, Maria Cruz disse que a participação “valeu a pena”, tendo sido uma oportunidade de trocar experiências, conhecer outras pessoas e falar “um pouco” de Cabo Verde.

Mesmo ao lado, Ronice Garcia dá as boas-vindas aos livros da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, dizendo que as vendas “foram razoáveis”, na sua maioria no segundo dia do fórum.

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“É uma boa oportunidade e uma saída e gostaríamos que fosse realizado mais vezes”, sugeriu, informando que todos os livros tinham “preço razoável”, com descontos de 15%.

Num dos corredores do Estádio Nacional, Susana Duarte recebe todos os participantes com um sorriso largo e apresenta o seu ‘stand’, onde se destaque um cabaz com um produto típico de cada uma das nove ilhas habitadas de Cabo Verde e um folheto informativo.

Animada com o produto novo, com o nome de “Incmenda d’terra”, Susana Duarte disse, no entanto, que o movimento foi muito fraco. “Esperava mais”, referiu. Mas, de uma forma geral, disse que foi bom porque permitiu apresentar os seus produtos.

No mesmo corredor, estão os doces Odília Tavares. Pela primeira vez num evento desta dimensão, a produtora disse à Lusa que o mais importante não são as vendas, mas sim dar a conhecer os produtos e trocar experiências com outras pessoas.

Natural de São Pedro, comunidade periférica da cidade da Praia, Odília Tavares destacou a importância de participar no fórum, por entender que se ficar no seu bairro a sua criatividade não será vista. A feirante disse que é uma grande oportunidade, sobretudo numa altura em que o país enfrenta um dos piores anos de seca dos últimos anos, com o mau ano agrícola a afetar diretamente as comunidades ruais.

Dizendo que as vendas foram razoáveis nos quatro dias, Odília Tavares afirmou que a seca e o mau ano agrícola poderão ter efeitos no acesso a matéria-prima para fazer os diferentes tipos de doces e salgados que depende de produtos agrícolas, como coco, banana, mancara, papaia.

Em São Vicente, Djoy Soares faz artesanato de barro cabo-verdiano e mandou o filho Emanuel Soares vir ao fórum expor os produtos, entre peças decorativas e utilitárias.

Emanuel Soares não precisou a quantidade de vendas, dizendo que muita gente deixa “tudo para a última hora”, mas salientou que a presença no fórum vale sobretudo pelas experiências e pelos contactos com outras pessoas. Por isso, considerou que o impacto não será visto apenas agora, mas também a longo prazo, uma opinião partilhada por quase todos os outros feirantes contactados pela Lusa.

A organização estima um impacto financeiro para a economia local de cerca de 600 mil euros em transportes, alojamento, alimentação, comunicações e lazer. O IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local termina esta sexta-feira, na cidade da Praia, após quatro dias de várias discussões e participação de quase três mil representantes de 85 países.