Ex-funcionários da petrolífera estatal brasileira Petrobras suspeitos de receberem suborno estão a ser alvo de mandados de prisão e busca e apreensão, na 46ª fase da Operação Lava Jato realizado esta sexta-feira pela polícia brasileira.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF), esta fase da Lava Jato, operação policial que há mais de três anos apura desvios na Petrobras e outras entidades públicas do Brasil, procura aprofundar investigações iniciadas a partir dos depoimentos e dos documentos fornecidos pelo grupo Odebrecht.

Funcionários da Odebrecht relataram, nos acordos de colaboração e de leniência firmados pela empresa com o Ministério Público a prática de crimes de corrupção e de branqueamentos de capitais em contratos firmados pela empreiteira com a Petroquímica Suape e com a CITEPE, ligadas à Petrobras.

De acordo com as informações apuradas, as obras em questão foram direcionadas ao grupo Odebrecht. A estatal adotou modelo contratual que beneficiava a empreiteira e restringia a concorrência”, diz o MPF em nota.

Os investigadores descobriram que a Odebrecht pagou e deu vantagens indevidas a quatro funcionários de alto escalão do grupo Petrobras, através de contas no exterior, que somados chegam ao montante de 32 milhões de reais (8,5 milhões de euros).

O juiz federal Sérgio Moro, que comanda as investigações da operação em primeira instância, decretou a prisão preventiva de ex-gerente da Petrobras, Luís Carlos Moreira, que recebeu mais de cinco milhões de dólares (4,2 milhões de dólares) em conta mantida no exterior.

Esses valores foram pagos a título de suborno decorrentes da contratação de uma empresa estrangeira para construir navios-sondas. Foi constatada a necessidade da prisão para assegurar que o ex-gerente, que já é réu em ação penal, parasse de movimentar os recursos ocultados no exterior”, informou o órgão de Justiça brasileiro.

A operação também teve como alvo um ex-agente de instituição bancária suíça não identificado que, atuando no Brasil, realizava a abertura e a gestão de contas mantidas junto ao Banco Société Générale.