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Seat prepara-se para sair da Catalunha. E a Volkswagen deixa

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O Grupo VW, a que pertence a Seat, já tinha autorizado o construtor espanhol a retirar a sua sede da Catalunha. Agora são os sindicatos a confirmar que o abandono da região é uma possibilidade.

Numa altura em que mais de 800 empresas já retiraram as suas sedes da Catalunha desde o dia 1 de Outubro, o que significa que, com elas, foram igualmente os pagamentos de impostos sobre os lucros, que ajudavam a manter o elevado nível de vida na região que agora se bate pela independência, eis que Barcelona está em risco de perder a sua empresa mais representativa: a Seat.

Construtor espanhol, integrado e controlado pelo Grupo Volkswagen, a Seat emprega na sua fábrica de Martorell, localizada nos arredores da capital catalã, cerca de 14.500 empregados, volume que ascende a 100.000 funcionários, entre directos e indirectos, se considerarmos todos os departamentos da empresa, bem como os diferentes fornecedores.

Com a ameaça da independência da Catalunha e a certeza desta não ser acolhida pela União Europeia (UE), também a Seat, à semelhança das restantes empresas localizadas na Catalunha, começou a estudar a possibilidade de deslocalizar a sua sede para outra cidade espanhola menos problemática.

Segundo o El Mundo, a empresa espanhola já recebeu do Grupo Volkswagen a autorização para mudar a sua sede para fora da Catalunha, o que equivale a dizer que os impostos passariam a encher os cofres do Governo espanhol e não da Generalitat. Recorde-se que 80% das grandes empresas catalãs são multinacionais e que só estão na região por ela pertencer a Espanha, país que ao integrar a UE, isenta de taxas as exportações. A saída da Catalunha deitaria esta realidade por terra, levando empresas a abandonar a região, um pouco à semelhança do que é expectável acontecer no Reino Unido, com o Brexit.

De acordo com as declarações do presidente da comissão de trabalhadores à EITB, a cadeia de televisão pública basca, “a Seat não deseja entrar na guerra política”, com Matías Carnero, que além de representar os trabalhadores da marca espanhola, é também presidente da associação sindical UGT na Catalunha, a afirmar que a marca espanhola “não tem vontade de deslocar a sua sede social, a menos que se verifique uma quebra nas vendas”. O que é o mais provável, caso a região se torna independente.

A deslocalização da sede apenas protegerá a Seat de eventuais “loucuras” de um Governo radical catalão, de nacionalizações a aumentos de impostos, uma vez que os veículos produzidos em Martorell, caso a região se torne independente, serão taxados à entrada de qualquer país europeu, e até de Espanha, para onde a Catalunha exporta 40% dos seus produtos, com outros 40% a terem como destino o restante da UE. E esta situação preocupa igualmente Matías Carnero, que vai afirmando que “o emprego está garantido”, admitindo contudo que “os calendários de produção são revistos mensalmente”.

Carnero confirmou ainda à EITB que a direcção da Seat tem vindo a “ser alvo de pressões para deslocar a sua sede para Madrid”, relativizando ao afirmar que “isso corresponderia a deslocar apenas uma cadeira ou uma mesa, o que não afectaria a produção em Martorell, nem o emprego”. Este é um discurso para tranquilizar os empregados da Seat, uma vez que o que verdadeiramente vai colocar os postos de trabalho em risco é uma eventual saída da Catalunha da UE, bem como as taxas a que as suas exportações passariam a estar sujeitas.

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