Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A primeira ronda do Meo Rip Curl Pro Portugal terminou com a passagem de Frederico Morais para as repescagens, mas não demorou até voltarmos a ver um português em ação na segunda ronda: Vasco Ribeiro, tetracampeão nacional sénior e ex-campeão mundial júnior de 22 anos que voltou a receber um wild card para a prova em Peniche, tinha pela frente o australiano Owen Wright num duelo onde, agora assim, quem perdesse estava afastado.

Frederico Morais pode ser um diamante em bruto, mas Mick Fanning é o eterno diamante

Já depois da vitória do ex-campeão mundial Gabriel Medina frente ao havaiano Mason Ho (11.66-6.33), e não sendo um duelo propriamente entre David e Golias (basta recordar que o português terminou no terceiro lugar em 2015 como wild card, ganhando entre outros Owen Wright), Vasco Ribeiro partia como outsider. E mais essa posição se confirmou quando, nas primeiras ondas, o australiano sacou um 5.67 e o surfista nacional não conseguiu sair depois de encaixar um bom tubo (1.83). Com a irregularidade das ondas, era um passo atrás para a terceira ronda.

A meio do heat, só havia três onda surfadas, o que é a melhor radiografia do mar que ambos enfrentavam. Tanto que Gabriel Medina assumia na flash que preferia não ter competido com estas condições. Quando o brasileiro falava, deixou de se ouvir a certa altura: o público estava em êxtase no areal, com uma fabulosa onda de Vasco Ribeiro. Tão fabulosa que permitiu não só estabelecer a melhor nota do dia (9.37, superando o 9.00 de Freestone e Fanning) como ficar à frente do atual número quatro mundial sem backup (a outra nota era 1.83).

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Os último minutos foram de suspense. Porque Owen Wright, com um 5.67 e um 4.50, precisava só de uma onda boa para passar para a frente. E porque, ao mesmo tempo, Vasco Ribeiro, com um total de 11.20, precisava só de uma onda suficiente para melhorar o pior resultado neste heat. O areal estava cheio como a maré e ficou ao rubro quando soou a buzina do final da bateria, com a confirmação da passagem do português à terceira ronda.

Owen Wright, que esteve afastado mais de um ano da competição por causa de uma lesão na cabeça, protagonizou uma verdadeira história de encantar na primeira etapa da temporada, na Austrália (Quiksilver Pro Gold Coast), quando regressou com uma vitória à competição. Somou ainda mais três quintos lugares ao longo do ano. Mas Vasco Ribeiro também parece talhado a fazer história em Peniche. E a deste sábado foi de encantar.

Owen Wright. Como o surf ganhou mais uma história de encantar

Depois de Gabriel Medina e Vasco Ribeiro, também Adriano de Souza (12.27-4.93 com Stuart Kennedy) e Leonardo Fioravanti passaram à terceira ronda, neste último caso com uma surpreendente vitória sobre o brasileiro Filipe Toledo, único a ganhar este ano duas etapas e que venceram em Peniche há dois anos.

https://twitter.com/wsl/status/921788718410641408

Este domingo a competição regressa logo de manhã com o quinto heat da segunda ronda, entre Kolohe Andino e Jadson André. Logo a seguir, é a vez de Frederico Morais voltar à ação, frente ao americano Nat Young. Seguem-se as seguintes baterias: Adrian Buchan-Ezekiel Lau; Connor O’Leary-Ian Gouveia; Joan Duru-Kanoa Igarashi; Jeremy Flores-Ítalo Ferreira; Caio Ibelli-Wiggoly Dantas; e Bebe Durbidge-Conner Coffin.

Acrescente-se que Julian Wilson, Matt Wilkinson, Ethan Ewing, Josh Kerr, Jordy Smith, John John Florence, Jack Freestone, Michel Bourez, Joel Parkinson, Miguel Pupo, Sebastian Zietz e Mick Fanning já tinham assegurado presença na terceira ronda após venceram as respetivas baterias na primeira ronda.