O antigo presidente do Governo espanhol e histórico socialista Felipe González negou esta segunda-feira que a aplicação do artigo 155.º acabe com a autonomia da Catalunha e defendeu que foram as autoridades catalãs que “atropelaram a autonomia e a Constituição”.

“A autonomia foi abandonada, na minha opinião, de forma não responsável — para utilizar palavras que não incendeiem, mas apaziguem -, pelos representantes da Generalitat [governo regional catalão] entre 06 e 07 de setembro”, disse González, durante a sua intervenção na investidura como doutor ‘honoris causa’ de Joaquín Moya-Angeler, na Universidade de Almería.

O também antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) referia-se à aprovação, pelo parlamento regional da Catalunha, da lei para convocar o referendo para 01 d outubro, com os votos dos deputados separatistas e na ausência dos eleitos do Cidadãos, socialistas e PP (Partido Popular), que estão em minoria.

“Quem vulnerou a autonomia, quem atropelou a autonomia foi a autoridade da Generalitat catalã”, concluiu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

No seu discurso, González pediu ao governo catalão que “reconsidere, que regresse à norma constitucional, não porque se vá deteriorar a situação económica, que é uma evidência, mas porque se deteriorou e se pode deteriorar muito o intangível mais apreciado que conquistámos em décadas, que é a convivência”.

Assim, sustentou que “não há democracia contra a Constituição e o Estatuto de Autonomia”, porque neste caso, “podem haver votos mas não democracia”.

Para o antigo primeiro-ministro espanhol, face a uma situação como esta, a responsabilidade de um Estado democrático e de direito e dos seus representantes é “restabelecer a autonomia da Catalunha dentro do quadro da Constituição”.

González defendeu uma alteração constitucional — algo que já está acordado entre o PP (no poder) e o PSOE -, advertindo que é possível “reformar as regras do jogo, mas não as mudar sem as respeitar, porque isso não é democracia”.

“Podem defender-se todas as ideias, dentro da Constituição, o que não se pode é utilizar as ideias para romper unilateralmente o quadro de convivência que votamos entre todos”, sustentou.