Donald Trump anunciou este sábado, através do Twitter, que vai desbloquear o acesso aos documentos secretos sobre o assassinato de John F. Kennedy, a 22 de novembro de 1963. A decisão não implica a publicação dos arquivos, mas sim o fim do impedimento da sua consulta.

O presidente norte-americano tem sido aconselhado pelas agências de segurança do país a não tornar públicos todos os documentos, pelo que é possível que não fiquem disponíveis todos os elementos presentes no arquivo. Os registos em questão vão ser desbloqueados a 26 de outubro, a próxima quinta-feira.

Mas o que é que se pode descobrir com estes documentos? O homicídio e consequente morte do 35º presidente dos Estados Unidos é um dos acontecimentos históricos mais misteriosos da história mundial recente. Deu azo a centenas de teorias da conspiração – umas mais loucas do que outras. Mas agora, com o desbloqueio dos documentos que contam tudo, o mundo está mais perto de descobrir a verdade.

O momento em que um segurança salta para a limusina em que Kennedy seguia, já depois dos disparos

A grande dúvida é a mais óbvia: quem é que matou John F. Kennedy? Ou, pelo menos, quem é que mandou matar. Lee Harvey Oswald, o acusado, repetiu em gritos enquanto era preso “eu não matei o presidente Kennedy!” e “eu não matei ninguém!”. Oswald tinha 24 anos quando foi detido pela morte do presidente. Tinha vivido na Rússia e, segundo os serviços secretos norte-americanos, estava fortemente ligado ao regime comunista. A verdade é que a teoria de que havia sido um solitário e instável simpatizante do comunismo, num impulso, a matar o presidente Kennedy, nunca chegou para uma sociedade que idolatrava o chefe de Estado e o tornou uma celebridade – mais do que um político.

Outro dos mistérios que pode ficar resolvido é a do homicídio do próprio Lee Harvey Oswald. Dois dias depois da morte de Kennedy, Oswald foi assassinado – em direto na televisão nacional – com tiros de Jack Ruby. O próprio Ruby morreu quatro anos depois em circunstâncias que ainda hoje não são conhecidas. Algumas teorias da conspiração acreditam que Jack Ruby matou Oswald para garantir que este não revelava qual era a proveniência da ordem para matar Kennedy. A verdade é que a morte de Lee Harvey Oswald caiu num fosso sem explicações – e quem sabe se essas mesmas explicações não morreram com Jack Ruby.

O momento em que Jack Ruby dispara sobre Lee Harvey Oswald

A máfia norte-americana é a protagonista de outro ponto que pode ficar resolvido já esta semana. O filme “JFK”, de Oliver Stone, assegura que a morte do presidente foi orquestrada pela CIA e pelos serviços secretos, numa conspiração contra a máfia em que Lee Harvey Oswald foi um mero bode expiatório. Aliás, a teoria de que Kennedy conseguiu chegar à Casa Branca graças ao apoio da máfia é conhecida e tem milhares de leais seguidores.

Outra das dúvidas que pode muito bem ser explicada é o desacordo entre a Comissão Warren, criada para investigar o homicídio, e o Comité Seleto do Congresso sobre Assassinatos. A primeira concluiu que Lee Harvey Oswald atuou sozinho; a segunda, já em 1979, deixou aberta a possibilidade de existir uma conspiração à volta da morte de John F. Kennedy.

Por fim, uma teoria mais rebuscada envolve o então vice-presidente Lyndon B. Johnson. Johnson subiu ao poder mal Kennedy morreu – mas os conspiradores dizem que não mandou matar Kennedy por estar sedento de poder. Em 1963, Lyndon B. Johnson era investigado em quatro processos diferentes por prevaricação e lavagem de dinheiro. As acusações caíram mal Johnson se sentou pela primeira vez na cadeira mais importante da Sala Oval.

Todas estas questões, se não resolvidas, estarão mais claras já esta quinta-feira – quando terminar o desbloqueio do arquivo confidencial sobre a morte do presidente John F. Kennedy.