O julgamento de um processo autónomo relativo ao homicídio do procurador Marcelino Vilanculo arranca na quarta-feira, no Tribunal Judicial da Província de Maputo, anunciou esta segunda-feira fonte do Ministério Público moçambicano.

De acordo com a fonte, citada pelo jornal estatal Notícias, no processo, a ré Edith Cylindo é acusada de ser uma das autoras materiais do crime.

Além dela, há três outros acusados no processo principal, que está sob alçada do Tribunal Supremo, devido a um recurso apresentado sobre o despacho de pronúncia de um deles.

Marcelino Vilanculo, procurador afeto à cidade de Maputo e que tinha a seu cargo a investigação sobre casos de rapto, foi assassinado a tiro na noite de 11 de abril de 2016, à porta de casa.

Segundo a mesma fonte citada pelo Notícias, a acusação aponta que Edith seguiu o magistrado desde o local de trabalho até perto da sua residência, onde deu a ordem a outros executores para que a vítima fosse baleada.

Em março, o Tribunal Supremo negou um pedido de habeas corpus a favor de Edith Cylindo.

Este ano, no aniversário da morte, a Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público denunciou a prevalência de ameaças e intimidação aos profissionais da classe.

“Manifestámos o nosso repúdio pelas situações de intimidação contra os magistrados: sabemos dos riscos que corremos, mas estamos firmes e decididos [na luta contra a criminalidade], disse, na altura, em conferência de imprensa, o presidente da AMMMP, Eduardo Sumana.

Num outro caso, o juiz Dinis Silica, que tinha em mãos processos relacionados com uma onda de raptos em Maputo, foi morto a tiro por desconhecidos, em 2014, em pleno, dia na capital moçambicana.