Quinta ronda em Peniche, hora das grandes decisões. E a primeira, em relação às aspirações portuguesas, até tinha corrido bem: o australiano Connor O’Leary perdeu com Sebastian Zietz e assim era já certo que Frederico Morais ia entrar, no mínimo, com a vantagem de 1.200 pontos para a última etapa do Tour, no Havai.

Kikas já assegurara (não em termos matemáticos, mas acreditando que não há conjugações cósmicas) um lugar no top-15 neste ano de estreia. E não seria nada do outro mundo se, no Billabong Pipe Masters, arrancasse mais uma grande classificação que lhe permitisse terminar entre os dez primeiros do Circuito Mundial (o que seria fantástico). Mas é nesta luta com O’Leary que parecem estar apontadas todas as atenções: vencer o prémio de melhor rookie do ano será uma espécie de cereja no topo do bolo numa primeira época fantástica.

Neste último heat da quinta ronda, estava tudo em aberto. Pensando na bateria perfeita que fez contra Fanning (e John John Florence) em Jeffreys Bay, onde chegou à final perdida para Filipe Toledo, e recordando o grande triunfo sobre o australiano na terceira ronda da etapa de Peniche em 2015, havia esperança para Frederico Morais. Ao mesmo tempo, este era o adversário que “limpou” por completo a primeira ronda deste ano com o português e que, muito em resumo, já se sagrou três vezes campeão mundial (tendo conseguido dois triunfos em Peniche). Sem Kelly Slater, ainda lesionado no pé, Mick Fanning é a referência de todos.

Frederico Morais pode ser um diamante em bruto, mas Mick Fanning é o eterno diamante

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Mick Fanning abriu logo com um tubo que, mesmo não tendo um grande final de onda, rendeu 8.50 ao australiano. Fosse pelo critério demasiado seletivo dos surfistas, fosse pelas condições mais desvantajosas, a verdade é que as ondas não estavam para grandes espetacularidades e, a meio da bateria, os dois melhores resultados de Frederico Morais ficavam atrás desse primeiro registo (7.67).

Até final, o português nunca conseguiu encontrar aquela onda que pudesse fazer a diferença (nem o australiano voltou a fazer nada superior a 3.37, a sua segunda melhor nota), acabando por perder por 11.87-10.00.

“O Mick Fanning é tricampeão mundial, é um surfista espantoso e ia ser sempre complicado. Podia ter tido mais paciência, quando tinha prioridade fui numa onda pequena e ele marcou 8.50. Não tive e às vezes isso custa um heat porque depois no final não tive ondas. Estou triste, sentia-me bem e queria ter ido mais longe em casa mas vai haver mais para o ano. A luta pelo rookie de 2017 também ainda está em aberto e por isso vai ser giro no Havai. Espero reencontrar o meu ritmo no Havai”, salientou Kikas ao canal da WSF

Nas outras duas baterias da quinta ronda, o americano Kolohe Andino venceu o italiano Leonardo Fioravanti (16.53-10.83), ao passo que o brasileiro Miguel Pupo derrotou Josh Kerr, que anunciou aqui em Portugal que este será o último ano no Circuito Mundial antes de se reformar para passar mais tempo com a família e com a filha, que promete dar cartas a breve/médio prazo apesar de ter apenas… 10 anos (15.50-10.67).

Assim, os quartos-de-final na praia de Supertubos em Peniche terão os seguintes duelos: Julian Wilson-Sebastian Zietz (heat 1), John John Florence-Kolohe Andino (heat 2), Kanoa Igarashi-Miguel Pupo (heat 3) e Gabriel Medina-Mick Fanning (heat 4). De recordar ainda que Vasco Ribeiro, o outro português em prova com wild card, perdeu com o campeão mundial e atual líder na terceira ronda após afastar Owen Wright.

O dia em que Vasco se mostrou a um mundo que está aos pés de John John Florence