Hoje era a manhã de John John; passadas umas horas, foi o dia de Gabriel. Gabriel Gabriel, em dose dupla: o brasileiro que foi campeão mundial em 2015 não só ganhou pela primeira vez o Meo Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, como conseguiu deixar a luta pelo título mundial de 2017 em aberto para a última etapa, no Havai.

Depois da apertada vitória de Julian Wilson frente a Sebastian Zietz no primeiro heat dos quartos-de-final (7.50-7.40, sem que existisse uma única onda que nos fizesse parar), o americano Kolohe Andino conseguiu “vingar-se” da derrota frente a John John Florence no último minuto da bateria da quarta ronda e venceu sem apelo nem agravo (14.00-3.80), no dia mais desinspirado para o havaiano campeão mundial e atual líder do Tour que não foi além de duas ondas demasiado modestas para o seu estatuto (2.33 e 1.47).

No quadro inferior dos “quartos”, Kanoa Igarashi, o mais português entre todos os não portugueses presentes na praia de Supertubos, confirmou o bom momento e ganhou a Miguel Pupo (12.50-8.44) antes do duelo mais aguardado desta fase, em que Gabriel Medina, mesmo sem ter conseguido notas muito boas ou excecionais (11.33, num combinado de 5.33 e 6.00), passou facilmente Mick Fanning, o tricampeão mundial que eliminou Frederico Morais mas que não foi além de um 2.00 e de um 1.17 (3.17) nas cinco ondas que apanhou na bateria.

Nas meias-finais, que começaram com um fantástico embate entre Julian Wilson e Kolohe Andino decidido sobretudo pela notas backup (onde o australiano, que já tinha arrancado a bateria com um fabuloso 9.43, conseguiu um 7.40, num total combinado de 16.83 que “abafou” os 14.56 do americano que eliminara John John), Medina apostava tudo para reduzir a (ainda grande) distância para o atual primeiro classificado do Circuito, conseguindo superar Kanoa Igarashi num heat mais tático onde tentou controlar depois de alcançar duas notas razoáveis para as condições, entre o cinco e o seis (11.10, com 5.83 e 5.27, contra apenas 6.24 do americano).

Na final, o brasileiro foi com tudo e, em qualquer hipótese de onda pontuável, lá ia ele lançado como se fosse a melhor coisa do mundo. Ainda assim, e entre as 14 pontuáveis que conseguiu, foi nas últimas duas que teve as melhores notas, acumulando um 6.93 e um 6.33 que lhe deu o triunfo frente a Wilson na final (13.26-10.94). Desta forma, Medina conseguiu vingar também a final perdida para o australiano em Peniche no ano de 2012.

Com este triunfo, Gabriel Medina ultrapassou o sul-africano Jordy Smith e subiu ao segundo lugar do Circuito Mundial quando falta apenas uma etapa por disputar, no Havai. E, sendo certo que John John Florence joga em casa e estará a surfar as ondas com as quais cresceu, a verdade é que os 4.350 pontos de diferença entre ambos poderiam ser anulados caso se repetisse o resultado de Peniche, por exemplo (vitória do brasileiro, quinto lugar do havaiano). No meio desta guerra, até Jordy Smith pode chegar ao título caso as coisas corram mal aos principais adversários (se ficarem até à terceira ronda).

Em paralelo, o brasileiro que nunca tinha ganho em Peniche conseguiu algo que mais ninguém obteve desde o início de 2016: vitórias em etapas consecutivas, que não se via desde os triunfos de Matt Wilkinson nas duas primeiras provas do ano passado, ambas na Austrália.

Já em relação a Frederico Morais, manteve-se quase tudo na mesma em termos de posição: manteve o 13.º lugar, tem praticamente garantido uma posição no top-15 em ano de estreia no Tour e mantém os 1.200 pontos de avanço sobre o australiano Connor O’Leary na luta pelo estatuto de melhor rookie da temporada.

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