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Nascido para substituir aquele que foi, verdadeiramente, o primeiro crossover da marca checa, o Yeti, mas cujo desempenho comercial acabou por ficar abaixo das expectativas, levando mesmo ao seu desaparecimento, o Skoda Karoq é, neste momento e de forma assumida, o novo menino-bonito do fabricante de Mladá Boleslav. Apaparicado não apenas pela sua ainda tenra idade (comercialmente falando, ainda nem sequer nasceu…), mas também por e ao contrário do Kodiaq, SUV destinado a um segmento mais alto e com uma procura não tão grande, estar direccionado para aquele que é o segmento que maiores vendas reclama, em termos europeus – o C, ou C-SUV. Onde, aliás, já peleiam propostas como o Seat Ateca, o Volkswagen Tiguan ou o Peugeot 3008, todos ambicionando um trono que continua na posse do incontornável Nissan Qasqai, mas que este Karoq promete também vir a reivindicar.

Comecemos pelo nome

Caso o leitor ainda não tenha ouvido, o Karoq vai buscar a inspiração, tal como o irmão maior, às tribos esquimós que vivem perto do Alasca. Sendo que, neste caso, nasce da combinação de duas palavras do idioma da tribo esquimó Alutiiq, nativa da ilha Kodiaq (já percebeu a relação?), e que são “Kaa’raq” (carro), e “Ruq” (flecha). Embora com este “carro-flecha” a fazer jus ao nome não tanto pela velocidade que atinge, mas mais pela precisão com que quer acertar em cheio no coração de um segmento que é, a par do imediatamente abaixo (B-SUV, liderado pelo Renault Captur), aquele que mais tem vindo a crescer.

A estética cativa?

Não escondendo as semelhanças, mais que evidentes, com o já conhecido Kodiaq, o Karoq exibe, numa carroçaria mais pequena, com 4,328 m de comprimento, 1,841 m de largura, 1,605 m de altura e 2,638 m de distância entre eixos (-153 mm que o Kodiaq), mas também de dimensões muito semelhantes às da referência Qashqai, toda uma série de soluções estilísticas que só o aproximam do “irmão maior”.

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É o caso da secção frontal, onde os faróis de nevoeiro de desenho ligeiramente diferente e colocados logo abaixo das ópticas dianteiras (que, a partir do nível de equipamento Ambition, podem já ser Full-LED, com o filete de luz diurna integrado), a grelha de dimensões generosas e com moldura metalizada, e o capot com bossa central e o emblema em destaque replicam a imagem de solidez, e até de uma certa imponência, já conhecida do Kodiaq.

O mesmo se aplica às laterais, que com as protecções em plástico angulares a delimitar os rebordos da carroçaria, uma linha de cintura elevada e pilares B e C a negro, procuram transmitir a mesma imagem de vocação off-road e espaço interior generoso.

Por isso, é na traseira que o Karoq assume maior diferenças face ao “irmão”, não apenas fruto do recorte ligeiramente diferente do pilar D, mas principalmente devido à forma mais “esculpida” e agressiva dos farolins, em LED e com o tradicional desenho de luz tipo “C”. Resumindo: gostámos.

Então e o interior, é melhor?

Se estivermos a falar de habitabilidade ou de capacidade de carga, não tenha dúvidas! Num habitáculo onde não falta sequer a boa qualidade de construção hoje em dia reconhecida à marca checa, assim como as boas escolhas em termos de materiais (só é pena alguns plásticos mais duros…), é não só o acesso que é fácil, como também o acomodar no interior de até cinco adultos não constitui grande problema. Com todos os ocupantes a disporem de espaço suficiente para viajarem com um bom nível de conforto, a começar no próprio condutor. O qual, além de um banco dianteiro novo e com tecnologia Thermo-Flux para melhor ventilação, mesmo quando em tecido, tem ainda garantida uma posição de condução um pouco elevada, mas nem por isso menos correcta ou a prejudicar o acesso à generalidade dos comandos. Lamentando-se apenas que não consiga o mesmo relativamente à visibilidade traseira.

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Mas se o espaço interior convence, também devido a linhas simples e funcionais, sem exibicionismos desnecessários a não ser, talvez, o também funcional ecrã táctil a cores e em vidro cujas dimensões podem variar entre as 6,5 e as 9,2”, saiba o caro leitor que a bagageira convence ainda mais. Desde logo, por revelar uma capacidade de carga que, com 521 litros à partida, supera por larga margem não só a do Qashqai (430 litros), como até mesmo a do “primo” Seat Ateca (510 litros) e do rival Peugeot 3008 (520 litros). Posicionando-se, mesmo, como a melhor do segmento.

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A juntar este argumento, os tradicionais elementos de funcionalidade, ou não estivéssemos em presença da marca que tem como mote “Simply Clever”. A começar pelo bom e amplo acesso ao espaço de carga, através de um generoso portão, que neste modelo conta com sistema de abertura e fecho eléctricos, com accionamento através de uma simples passagem do pé por baixo do pára-choques traseiro. A que se juntam vários ganchos porta-sacos, pequenos espaços de arrumação e até a possibilidade de rebater as costas 60/40 dos bancos traseiros, através do accionamento das trancas no topo das costas. Fazendo, assim, disparar a capacidade para uns ainda mais impressionantes 1.630 litros.

Para aqueles para quem a capacidade de carga é fundamental, existe ainda a possibilidade de instalar o opcional sistema VarioFlex, sinónimo de ajuste longitudinal e rebatimento individual das costas de cada um dos bancos traseiros, ou até mesmo a sua retirada do habitáculo. O que permite transformar o Karoq numa espécie de carrinha comercial, com uma capacidade máxima de carga de 1.810 litros.

E quanto a outro tipo de equipamento?

Também aí, acreditamos nós, não faltam motivos para agradar. Embora ainda nada se saiba sobre as diferentes linhas de equipamento para Portugal (segundo o Observador apurou, garantido parece estar apenas o desaparecimento da versão de entrada, Active, ficando somente o intermédio Ambition e o topo de gama Style), tudo aponta para que o Karoq não deixe de seguir as pisadas dos restantes modelos do fabricante. Propondo versões bem equipadas de fábrica, a par de uma boa lista de opcionais.

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A oferta começa numa paleta de 14 cores exteriores e jantes em liga leve com medidas que variam entre as 16 e as 19”, a que se juntam novidades absolutas como o painel de instrumentos totalmente digital, ou ainda o sistema de ar condicionado Climatronic com função Air Care. O qual não só permite regulação independente para condutor e passageiro, como tem entre as suas funções uma melhor limpeza do ar no interior do habitáculo.

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Igualmente presentes estão os muitos espaços de arrumação (entre os quais, um para guardar um guarda-chuva, por baixo do banco do passageiro da frente), travão de estacionamento electromecânico, tecto panorâmico em vidro com abertura eléctrica, sistema de quatro modos de condução (Eco, Normal, Sport e Individual, sendo que as versões 4×4 têm ainda dois modos extra, Off-Road e Snow), quatro sistemas diferentes de informação e entretenimento (Swing, Bolero, Amundsen e Columbus, os dois últimos já com navegação e a funcionalidade de reacção aos gestos), sistema de som Canton, prateleira para smartphone com sistema de carregamento wireless, serviços online Skoda Connect, chamada de emergência em caso de acidente ou avaria, e bola de reboque retráctil.

No domínio da segurança e assistência à condução, disponíveis estão o Cruise Control Adaptativo com recurso a radar, Front Assist com City Emergency Brake e Predictive Pedestrian Protection, Aviso de Ângulo Morto com aviso de trânsito a passar na traseira, Manutenção na Faixa de Rodagem, Traffic Jam Assist, Aviso de Cansaço do Condutor, Câmara de Reconhecimento de sinais de trânsito e sistema de segurança passiva com até nove airbags.

Agora, quantas e quais destas soluções farão parte do equipamento de série de cada uma das versões, nomeadamente no mercado português, é algo que só saberemos lá mais para a frente…

E motores diesel, já se sabe se vai haver?

Claro que sim! Apesar de este ser um dos segmentos em que a gasolina tem vindo a ganhar terreno, a verdade é que, especialmente em mercados como o português, (ainda) não faria sentido lançar uma proposta como esta, sem motores a gasóleo! Motivo pelo qual a Skoda deixa desde já a garantia de que das cinco motorizações previstas para a fase de lançamento, três serão diesel: 1.6 TDI de 115 cv e 2.0 TDI de 150 cv, ambos tanto com caixa manual de seis velocidades, como com automática DSG de sete relações, e 2.0 TDI de 190 cv, este último só com DSG. Blocos com consumos que vão desde os 4,5 l/100 km de média e 118 g/km de emissões de CO2 para a motorização de entrada com caixa manual, até aos 5,2 l/100 km e 134 g/km da versão de topo 2.0 TDI 190 DSG 4×4.

Quanto à oferta a gasolina, resume-se ao já conhecido – e excelente, mas já lá vamos… – tricilíndrico turbo 1,0 litros TSI de 115 cv e ao 1.5 TSI de 150 cv – este com sistema de desactivação de até dois cilindros, para menores consumos. Ambos propostos tanto com caixa manual, como com automática DSG de sete velocidades, sendo que, tal como acontece com o 2.0 TDI (o 1.6 TDI é a excepção que confirma a regra…), ambos estarão disponíveis tanto com tracção apenas dianteira, como com tracção integral. Além de anunciando médias nos consumos que começam nos 5,2 l/100 km, com emissões de 117 g/km, para terminarem nos 5,7 l/100 km e 132 g/km do 1.5 TSI de 150 cv com DSG e tracção integral.

A condução agrada?

Sinceramente, sim. É certo que não é mesmo que conduzir um sedan, o Karoq tem mais de 1,6 metros de altura e 18,3 cm de altura ao solo, e, apesar dos reconhecidos argumentos da plataforma MQB A (a mesma do Octavia) com suspensão McPherson à frente e um “mero” eixo de torção atrás (apenas as versões 4×4 contam com solução Multilink), a verdade é que o conjunto não fica totalmente imune às forças laterais. Deixando escapar uma certa sensação de inclinação da carroçaria, em particular, nas situações de maiores transferências de massas, como nos trajectos mais sinuosos, por exemplo.

No entanto, desengane-se quem possa pensar que tal será suficiente para prejudicar a condução. Conforme também pudemos constatar nos muitos quilómetros que fizemos ao volante do novo SUV checo, em plena ilha italiana da Sicília, a este Karoq não faltam argumentos para sobressair. A começar pelo óptimo compromisso entre conforto e eficácia, com a suspensão a mostrar-se competente tanto nos pisos mais degradados e, inclusivamente, no fora-de-estrada, onde nunca deixa de manter os ocupantes a salvo das maiores agressões, como no alcatrão, onde, evidenciando um pisar razoavelmente informativo e sem cedências de maior, conta ainda com uma direcção suficientemente precisa, ainda que não com muito feedback, para garantir trajectórias suficientemente precisas e sem necessidade de correcções constantes. Tanto em curvas mais abertas como nos trajectos mais encadeados, em que a facilidade de condução é sempre bem-vinda. Altura em que os pneus Michelin de 18”, embora um pouco altos e a contribuírem para alguma inclinação da carroçaria, não deixaram, ainda assim, de revelar boa segurança e aderência.

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Com um sistema de travagem à altura das necessidades e a possibilidade de contar, nalgumas motorizações, com sistema de modos de condução que, efectivamente, alteram a resposta do motor e transmissão (automática), neste primeiro contacto, tivemos ainda oportunidade de sentir o pulso aos dois motores que, à partida, reinarão no mercado português: o 1.6 TDI e – esperemos! – o 1.0 TSI, com as sensações que deles retirámos a serem positivas. No primeiro caso, devido principalmente à desenvoltura e elasticidade desde os regimes mais baixos, ainda que com um importante apoio de uma caixa automática DSG que claramente “sabe da poda”, até na forma como ajuda a uma insonorização que, sinceramente, nos surpreendeu. E ainda mais no segundo caso, o excelente 1.0 TSI, propulsor que é já bem conhecido de outras andanças e modelos, mas que nem aqui deixou de cotar-se em plano positivo.

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Ainda sobre o desempenho do pequeno tricilíndrico, impossível não referir a forma expedita como consegue dar vida a um Karoq que não é tão pequeno quanto à partida se poderá pensar (tem praticamente o mesmo comprimento do Qashqai, voltamos a dizê-lo!…), mesmo quando não conta com o apoio, importante e valioso, de uma caixa DSG. Sendo que, acoplado a uma caixa manual de seis velocidades, continuam a não lhe faltar disponibilidade, progressão, insonorização e até consumos apetecíveis (apesar da “estica” que lhe demos, ficou-se pelos 7 l/100 km…), para agradar! Motivo pelo qual e até opinião em contrário, quiçá saída de um ensaio mais prolongado, fazemos dele o nosso favorito!

Tem espaço, equipamento, bons motores e até convence na estrada. Mas, e preços?

Ora aí está a pergunta sem resposta. Mas apenas e só porque, simplesmente, ainda não existem. Contudo, segundo conseguimos apurar junto dos responsáveis da marca, esse é um dos aspectos que, embora ainda por resolver, deverá ficar definido em breve. Ou seja, ainda a tempo do lançamento do Karoq no mercado, o que acontecerá até ao final do ano, embora apenas em três países: Alemanha, Áustria e a terra-natal República Checa. Onde, aliás, o modelo é também produzido, na fábrica de Kvasiny.

Quanto aos restantes mercados, como é o caso de Portugal, o melhor mesmo é não esperarem pelo novo SUV compacto da Skoda antes do final do primeiro trimestre de 2018. Uma demora que, ainda assim, poderá garantir ao importador nacional tempo suficiente para conseguir alcançar o objetivo assumido de fixar preços tão competitivos quanto, por exemplo, os do “primo” Seat Ateca…