O presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, criou um ministério de cibersegurança que está a ser denominado de “Ministério do WhatsApp”. O Ministério da Cibersegurança, Deteção e Mitigação de Ameaças nasce, segundo o porta-voz de Mugabe, George Charamba, para lidar com a “ameaça emergente para o estado fundada no abuso e na conduta ilegal”. O escolhido para presidir o ministério foi o ex-ministro das Finanças, Patrick Chinamasa, o qual, segundo o própria, não usa nenhuma rede social.

O ditador Mugabe é um alvo constante de memes na Internet por protagonizar situações como a leitura do discurso errado ou adormecer em eventos importantes (ou, segundo o porta-voz de Mugabe, proteger os olhos das “luzes brilhantes”). O ministro recém nomeado é agora novo alvo na net, na qual já circula uma carta falsa na qual Chinamasa decreta que, pelo “ciber poder” que lhe é conferido, todos os grupos de WhatsApp têm de estar certificados pelo governo e que pertencer a grupos não oficiais constitui um crime.

Há quem diga que o ex-ministro das finanças do Zimbabué vai revitalizar a economia do país através do controlo às redes sociais, as quais o governo disse terem sido usadas para “criar uma sensação de pânico” quando o país ficou sem gasolina no mês passado.

A medida de Mugabe, que tem 93 anos e está no poder desde 1980, está a ser vista como um atentado aos direitos humanos, mais especificamente à liberdade de expressão. A Internet tem sido, aliás, uma das maiores ferramentas de oposição ao regime. No verão de 2016, o pastor Evan Mawarie iniciou o movimento “#ThisFlag”, que apelou a uma manifestação pacífica e levou a que as pessoas ficassem em casa naquele que foi o maior protesto anti-governo da última década. Desde então, Mawari já foi preso várias vezes, vendo-se obrigado a exilar-se fora do país durante alguns meses.

As redes sociais são uma das grandes ferramentas que os cidadãos do Zimbabué têm para receber notícias independentes e críticas do regime, visto que os dois maiores meios de comunicação sociais são controlados pelo governo.