China

Xi Jinping: mais cinco anos de poder, sucessores afastados e no patamar histórico de Mao

O congresso do PC Chinês confirmou a nomeação de Xi Jinping para secretário-geral e afastou os seus potenciais sucessores. O seu nome está agora na constituição do partido, ao lado de Mao e Xiaoping.

Xi Jinping é Presidente da China desde 2012

Lintao Zhang/Getty Images

Xi Jinping foi re-eleito para o cargo de secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC), o que faz dele automaticamente o Presidente chinês para os próximos cinco anos. A votação, a cargo do comité central do PCC, deixa poucas janelas abertas para o futuro, à medida que Xi Jinping ganha ainda mais poder e protagonismo e outras figuras de topo, até agora frequentemente apontadas como potenciais sucessores, são despromovidas.

O congresso do PCC concretizou o poder o Presidente chinês, que subiu ao cargo em 2012, com uma medida paradigmática da sua influência: inscrever o seu nome na constituição do partido, sob a forma de “O Pensamento de Xi Jinping”. Esta medida simbólica equipara-o aos líderes mais poderosos da China comunista. Até agora, apenas os nomes de dois líderes podiam ser lidos naquele documento: o fundador da China comunista, Mao Tse-Tung; e o ideólogo por trás do modelo económico que tornou a China numa potência mundial, Deng Xiaoping. Este último, teve o seu nome inscrito na constituição do PCC apenas a título póstumo.

Além deste gesto simbólico, há também dados que deixam adivinhar a possibilidade de Xi Jinping estar cada vez inclinado mais para um terceiro mandato, a começar em 2022. Todos aqueles que foram eleitos para o Comité Permanente do PCC, o órgão mais importante do partido, têm entre 62 e 67 anos. Embora seja uma regra informal, a prática comum é que ninguém seja reeleito para aquele órgão — que funciona como uma espécie de rampa de lançamento para o cargo de secretário-geral — depois dos 68 anos.

A nova lista do Comité Permanente do PCC é também marcada pela ausência de alguns dos nomes que tinham sido até agora apontados como possíveis sucessores a Xi Jinping. É o caso de Hu Chunhua, secretário do PCC na província de Guangdong; de Chin Miner, secretário do PCC em Chongqing; ou Wang Qishan, o homem que é frequentemente referido como o braço direito de Xi Jinping e que tem liderado o combate à corrupção dentro do PCC, uma das causas de Xi Jinping. Aos 69 anos, Wang Qishan ultrapassa agora a linha dos 68 anos fixada para a renovação da cúpula do partido.

“Não devemos sequer pensar em parar para respirar ou andar mais devagar”

“O nosso partido demonstra uma liderança forte, firme e viva. O nosso sistema socialista demonstra uma grande força e vitalidade”, disse Xi Jinping na madrugada desta quarta-feira. “O povo chinês e a nação chinesa abrem os seus braços para um futuro brilhante.”

No seu discurso, após a confirmação da sua nomeação, Xi Jinping sublinhou que o atual caminho da China é para manter — o que passa tanto pelo combate à corrupção como pelo crescimento a nível internacional, no aspecto económico mas também militar.

“Não devemos sequer pensar em parar para respirar ou para andar mais devagar. Pelo contrário, temos de continuar a livrar-nos do vírus que corrói o tecido do partido e a fazer todos os esforços para abrir caminho a um ambiente político saudável de integridade e gerar ondas de energia positiva ao longo do nosso partido”, disse, sobre o tema da corrupção.

Sobre o papel da China no tabuleiro de xadrez internacional, disse: “Com confiança e orgulho, o povo chinês será firme na defesa da soberania do seu país da sua segurança e dos interesses do seu desenvolvimento”.

Num editorial do Global Times, jornal anglófono financiado pelo Estado chinês e, por isso, portador da mensgem que o PCC procura passar para o estrangeiro, pode ler-se que “a China não vai ser apenas uma nação forte com um exército de primeira categoria, vai também concentrar-se na procura insistente da harmonia, de um equilíbrio ecológico e da democracia”. “Posto de forma simples, os cidadãos da China vão viver vidas belas. Este país modernizado vai servir o seu povo, em vez de procurar a vingança contra o mundo num esforço de estabelecer uma hegemonia global”, lê-se naquele jornal.

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