cinco anos que não havia tantos mortos por acidente de mota em Portugal e há dez que não havia tantos feridos. Até setembro morreram 76 pessoas e contam-se 328 feridos graves. Tudo isto num 2017 que até se prepara para ficar bem abaixo do número de acidentes do ano passado. A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias.

Relatórios da ANSR, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, indicam que no intervalo entre 1 de janeiro e 30 de julho de 2017 morreram mais 33 pessoas em acidentes com motociclos ou ciclomotores do que em 2016, no mesmo intervalo. Desde 2012, ano em que morreram 78 pessoas, que os números estavam relativamente estáveis. Em 2013 morreram 53 pessoas, número que diminuiu para 42 em 2014 e tornou a subir em 2015, para 59. 2016 foi novamente um ano de descida – morreram 43 pessoas.

O total de feridos até setembro deste ano é de 4851. O número de feridos graves, 328, encontra-se bastante acima dos 275 de 2016, mas não está só nesta última década. Há dois anos, o número de feridos graves até setembro era de 314. Entre 2008 e 2011 os números rondaram os 319 e os 327.

O verdadeiro aumento do número de feridos deu-se nos ligeiros, que foram quase mais mil em 2017 do que em 2016. O número passou de 3844 para 4523, este ano. Entre 2008 e o ano passado, até setembro, nenhum número saiu da casa dos 3000 (em 2015 houve 3985 feridos).

No que a acidentes com motas diz respeito, e segundo dados do JN – que apenas utilizou números providenciados pela PSP -, estes devem diminuir este ano. Até setembro de 2017 contabilizaram-se 3748 acidentes com motas, número bastante abaixo dos 8277 da totalidade do ano passado. Há dois anos, o total de acidentes com motociclos e ciclomotores foi de 4326.

De acordo com o JN, o Governo tem previstas medidas para reduzir o número de acidentes e fatalidades que pretende implementar até 2020. Entre as medidas estão incentivos à compra de motas mais seguras e obrigatoriedade de uso de mais equipamentos de segurança. O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, crê que as propostas governamentais são insuficientes.

Ao Jornal de Notícias, o presidente da PRP disse considerar o aumento do número de vítimas “brutal e preocupante”, acrescentando que “está na altura de olhar para o fenómeno com atenção”. Segundo Trigoso, é possível que o aumento seja resultado de um “maior uso de veículos motorizados de duas rodas, mas é impossível dizer sem que seja feita uma análise séria”.

O documento do Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária 2020 da ANSR aponta que os motociclos apresentam “os indicadores de risco mais gravoso”. No mesmo documento, a ANSR diz comprometer-se a “estabelecer condições para a discriminação positiva” na compra de motas com motores mais seguros e a estudar, em conjunto com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, um alargamento de equipamentos de segurança a ser utilizados por motociclistas de forma obrigatória. O documento diz ainda que PSP e GNR vão apertar na fiscalização às motas e criar “campanhas de sensibilização”.