No Cabo Ruivo, em Lisboa, há uma escola de tempos livres com robôs, tablets e óculos de realidade virtual que permitem aos alunos visualizar o que constroem em três dimensões. O objetivo de Paula Belo, professora de inglês e cofundadora da Future Now, é o de “estimular a criatividade e a imaginação” de crianças e adolescentes entre os 6 e os 18 anos através de programação e robótica. Como? Ensinando-as a criar o software que permite a um braço de um robô pegar num copo de plástico, por exemplo.

A ideia de criar este projeto para miúdos teve inspiração “no que já se faz lá fora, principalmente em países nórdicos”. Ao Observador, Paula Belo diz que em Portugal há uma “lacuna na oferta formativa para crianças e adolescentes” nas áreas de programação e robótica. Apesar de serem precisos cada vez mais conhecimentos de programação no mercado de trabalho, poucas escolas nacionais têm disciplinas dedicadas a estas matérias.

Paula Belo é professora de inglês e uma das fundadoras da escola. É responsável por coordenador o plano pedagógico

O Ministério da Educação tem um projeto piloto de ensino de programação a decorrer em algumas instituições de ensino, mas estima-se que a disciplina só arranque em pleno no ano letivo 2018/2019. Até lá, os pais que quiserem que os mais novos aprendam a fazer código fora do projeto piloto têm de encontrar alternativas no ensino privado.

O code.org, um site que conta com o apoio de nomes como Bill Gates (fundador da Microsoft) e Mark Zuckerberg (criador do Facebook), é uma das alternativas para quem quer pôr as crianças a programar a partir de casa. E foi o ponto de partida de Paula Belo para a Future Now, que só abre portas em novembro, e que quer incentivar as crianças a programarem tão naturalmente como escrevem.

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A Future Now quer distinguir-se da concorrência através do material que utiliza para ensinar as crianças e adolescentes. O espaço no Cabo Ruivo está apetrechado de “tecnologia pedagógica”. O objetivo destes equipamentos é “tornar o ensino apelativo”, explica-nos a sócia gerente. É com computadores equipados com os mais recentes processadores e placas gráficas, óculos de realidade virtual e robôs fáceis de construir (da Makeblock) que os professores da escola ensinam os alunos a dar os primeiros passos na robótica e programação.

Experimentámos um dos robôs, que já estava construido, e rapidamente pusemo-lo a andar e conseguimos que um braço mecânico pegasse num copo, recorrendo apenas a um tablet. Foi através deste dispositivo que comandámos a construção do robô e vimos no ecrã como funciona o código que permitia os movimentos. Também experimentámos os óculos de realidade virtual HTC Vive, que permite aos alunos visualizar os modelos de robôs que constroem nas aulas num ambiente totalmente virtual.

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As aulas estão divididas em módulos de uma hora e cada curso tem no total 40 horas. No portefólio de cursos da Future Now, aprende-se a fazer videojogos, iniciam-se os alunos na robótica e a mexer em ferramentas Unity (uma ferramenta informática para criar software). Foram todos preparados de raiz pelos programadores da Future Now.

Paula Belo explica que um dos objetivos da escola é combater o estereótipo que só os rapazes são talhados para as novas tecnologias. E assume que a escolha da cor do logótipo (cor de rosa) foi escolhido “para quebrar a ideia que a tecnologia é uma área para rapazes”. Nas primeiras aulas, Paula Belo adianta que “quem sobressaiu foram as raparigas”.

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Para já, estão apenas disponíveis visitas de estudo interativas. As aulas começam em novembro.