Quem começou a querela foi o presidente norte-americano (ou nem por isso). Na sua conta oficial de Twitter, Donald Trump atirou forte à última peça do realizador e ativista Michael Moore. O espetáculo em causa, por sua vez, já tinha uma frase promocional suficientemente provocadora: “Pode uma peça na Broadway derrubar um presidente em funções?”. Seis dias depois de a peça sair de cena, Trump resolveu utilizar o seu meio de eleição, o Twitter, para provocar Moore. Na mesma rede, teve não uma, mas 11 respostas do realizador.

Trump classificou de “desleixada” a peça “The Terms of My Surrender” (“Os termos das minha rendição”) e apontou o seu “total” fracasso de bilheteira para comentar que o espetáculo “foi forçado a encerrar”. Depois rematou com o seu já emblemático “Sad!”. O presidente comentava, por fim, uma peça que estava em cartaz desde o verão e que já então se apresentava como “um golpe de estado teatral”, sendo da autoria de “uma das vozes mais incisivas e hilariantes dos Estados Unidos. Afinal, quem melhor para responder às questões quentes da era Trump do que o homem que previu tudo e tentou avisar-nos?”, rematava a descrição da peça na página oficial. Numa entrevista que deu sobre a sua obra, o próprio Moore foi claro: “É uma peça humorística sobre um presidente que acabou de eleger um louco — quer dizer, não há outra maneira de dizer isto”.

Quando viu um tweet presidencial dedicado a si, Michael Moore não deixou passar a referência em claro e disparou uma série de tweets, no domingo. “Deve ter confundido o sucesso da minha peça com a sua presidência — que será um fracasso total e VAI certamente acabar mais cedo“. E o remate ao jeito de Trump: “NOT SAD”.

Em agosto, depois de uma noite de espetáculo, Michael Moore convocou todos (incluindo a audiência que estava a assistir nessa noite) para um protesto em Nova Iorque, junto à Trump Tower, depois dos comentários do presidente aos confrontos em Charlottesville, distribuindo a culpa pelos dois lados.

A relação já era complicada e, este domingo, Moore não ficou pelo primeiro tweet e acrescentou muitos mais, escrevendo até que “um militar americano foi morto e seis ficaram feridos na guerra sem-fim do Afeganistão. O nosso Presidente nem sequer está consciente disto”, disse acusando Trump de estar mais preocupado no facto de “ser uma estrela da Broadway”. De novo o remate: “SAD”.

No ano passado, Moore realizou o documentário “Michael Moore na TrumpLand” e é também seu o documentário sobre o 11 de setembro de 2001 “Fahreneinht 9/11”, lançado em 2004, crítico sobre outro presidente republicano, George W. Bush. Não tem poupado Trump, cuja vitória previu mesmo num texto escrito antes das eleições, elencando logo ali cinco razões pelas quais o então candidato republicano ia vencer a corrida à Casa Branca. E começava o texto assim: “Lamento ser o portador das más notícias”.

Este domingo, no Twitter, o realizador ainda escreveu mais: “Dizem que o Twitter o distrai da sua presidência, mas o Twiter é a sua presidência! É tudo o que sabe fazer”. Isto seguido do hashtag “#loser”. Para o tweet final, o 11º (e nenhum deles teve qualquer resposta de Trump), Moore guardou uma fotografia sua com Jared Kushner, genro de Trump: “Pelo menos eu sei que ainda tenho um fã na Casa Branca (obrigado pelo inabalável apoio, Jared). Provocação com provocação se paga.