Conteúdo com origem russa no Facebook chegou a 126 milhões de americanos antes e depois das eleições presidenciais americanas, ganhas pelo agora presidente Donald Trump. As cerca de 80 mil publicações chegaram a 29 milhões de americanos, cujos gostos e partilhas amplificaram a audiência para um número que corresponde a quase metade do universo eleitoral norte-americano.

A empresa fundada por Mark Zuckerberg vai apresentar estes números ao comité judicial do Senado terça-feira, juntamente com o Twitter e com a Google. Nessa audiência será discutido o impacte da Rússia nos três sites. Os dados foram obtidos antes da divulgação oficial pelo The Washington Post e pela Reuters.

O documento que será apresentado esta terça-feira revela que as 80 mil publicações foram feitas por uma companhia russa com ligações ao Kremlim, a Internet Research Agency, entre junho de 2015 e agosto de 2017. Segundo o mesmo, o Facebook fechou as contas e reportou os utilizadores com ligações à Rússia aos oficiais norte-americanos. No testemunho é dito que os 80 mil posts com ligações russas correspondem apenas a 0,004% de todo o conteúdo na rede social, o que equivale a cerca de uma publicação por cada 23 mil.

Entre estas publicações não se incluem os mais de 3 mil anúncios vistos por 10 milhões de utilizadores americanos. Esta publicidade também ligada à mesma agência russa.

Os anúncios com ligação à Rússia abrangiam questões políticas e sociais, tais como questões étnicas, dos LGBTQ, de imigração e de direito a possuir armas, entre outros.

Quanto ao Twitter, e de acordo com a Reuters, a empresa vai revelar que encontrou e encerrou mais de 2700 contas com ligações à IRA.

A Google diz que descobriu cerca de 4700 dólares gastos em publicidade com ligações russas, 18 canais de YouTube com ligações ao Kremlin e endereços Gmail usados para criar contas noutras plataformas.

Das três empresas, a Google é a única que ainda não demonstrou publicamente estar a dar passos para tornar quem compra e quem vê publicidade política nas plataformas. Em novembro de 2016, Mark Zuckerberg negou que a rede social tenha tido impacto nas presidenciais americanas. Quase um ano depois, em setembro, o fundador do Facebook mostrou-se arrependido e disse estar a trabalhar na defesa de tentativas de desinformação e subversão eleitoral.

Os dados das redes sociais e a apresentação dos mesmos ao comité judicial do Senado vêm na sequência das acusações do diretor de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, e de um associado seu, Rick Gates, de terem conspirado contra os Estados Unidos da América e feito lavagem de dinheiro. Além destes dois, um antigo conselheiro de Trump, George Papadopoulos, declarou-se culpado de perjúrio sobre os seus contatos com a Rússia.