Uma pessoa próxima de Harvey Weinstein terá oferecido um milhão de dólares a Rose McGowan para que a atriz não falasse do alegado abuso sexual. A revelação foi feita pela própria McGowan ao New York Times, o mesmo jornal norte-americano que tornou público as acusações de assédio sexual de várias mulheres em relação ao produtor de Hollywood.

McGowan disse que o seu advogado foi contactado por uma pessoa próxima de Weinstein, em setembro deste ano, que lhe ofereceu um milhão de dólares em troca da sua assinatura num acordo de confidencialidade, ou seja, a atriz não poderia falar da violação, que ocorreu num quarto de hotel em 1997.

Já na altura da alegada violação, a norte-americana tinha chegado a um acordo com o produtor e recebeu 100 mil dólares. Mas McGowan descobriu, este verão, que o contrato não incluía uma cláusula de confidencialidade.

A atriz confessa que ponderou aceitar a oferta, até porque precisava do dinheiro. “Tinha todas estas pessoas a dizerem-me para aceitar para conseguir financiar a minha arte”, explicou McGowan, que entretanto deixou o universo de Hollywood para se tornar uma artista multimédia.

Em vez disso fez uma contraproposta — também para torturar Weinstein: pediu seis milhões de dólares em troca do seu silêncio. “Achei que conseguia esticar a proposta até três [milhões]. Mas depois pensei: ‘euh, que nojo, és nojento, não quero o teu dinheiro, isso far-me-ia sentir pessimamente’.”

Um dia depois de rebentar o escândalo, disse ao seu advogado para retirar a oferta. Nessa altura não quis identificar Weinstein como o seu violador, mas entretanto tornou-se numa das 82 mulheres a acusar o produtor de assédio e/ou violação.

“Estive em silêncio durante 20 anos. Fui humilhada, fui assediada, fui difamada e sabem que mais? Sou exatamente como vocês. O que aconteceu comigo nos bastidores acontece com todas nós nesta sociedade. Não pode continuar”, disse McGowan, num discurso na Women’s Convention, na passada sexta-feira em Detroit.