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Teatro

“Rei Ubu” abre Mostra de Teatro de Almada

A 21.ª Mostra de Teatro de Almada (MTA) abre esta sexta-feira, com "Rei Ubu", do francês Alfred Jarry, e decorre até 19 de novembro, reunindo cerca de duas dezenas de grupos de teatro do concelho.

ANTHONY ANEX/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A 21.ª Mostra de Teatro de Almada (MTA) abre esta exta-feira, com “Rei Ubu”, do francês Alfred Jarry, e decorre até 19 de novembro, reunindo cerca de duas dezenas de grupos de teatro do concelho.

A iniciativa tem por objetivo celebrar a dramaturgia de textos originais, em comunhão com clássicos de William Shakespeare e Bertolt Brecht, e conta com um total de 25 encenações, acompanhadas de uma “Mostra.Ponto de Encontro”, depois das representações no Teatro António Assunção.

O Mercado Municipal da Trafaria vai também acolher ‘memorabilia’ reunida ao longo dos 45 anos do Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT), tendo a oportunidade de expor “guarda-roupa, adereços cénicos, partes de cenário e material cénico”, preservados até aos dias de hoje, e de exibir excertos das peças organizadas pelo grupo amador.

O espetáculo inaugural é uma representação do texto original de Jarry, no qual o protagonista é retratado como “uma personagem excessiva (…) que possui todas as qualidades necessárias ao exercício despótico do poder”, fazendo-o “um objeto teatral versátil e perfeitamente atualizável” – numa era de “pós-verdade” -, em que “factos passam a ser menos decisivos do que (…) opiniões [e] a manipulação da informação é aceite por largas faixas da população”, aponta a sinopse da programação.

Esta primeira apresentação será feita pelo grupo amador Teatro na Gandaia, dirigido pela atriz Ana Nave, no Teatro-Estúdio António Assunção.

A agenda da mostra prossegue com duas outras estreias, “Revolução no Frigorífico” – “uma peça infantil que aborda o tema da alimentação saudável de uma forma divertida, tanto para crianças como para adultos” – e “Escuta Aqui Meu Ladrão”, que dá título a “uma comédia de Paulo Sacaldassy, com um final surpreendente”, ambas por parte da companhia de teatro Cénico da Incrível Almadense, agendadas para sábado.

O mesmo dia encerra com a adaptação da peça do autor britânico William Shakespeare “Sonho de uma Noite de Verão”, numa versão conduzida por Luzia Paramés – do grupo Produções Acidentais -, com o objetivo de renovar o clássico da dramaturgia, no qual o sonho se funde com a realidade, através de elementos como “o amor, a comédia e uma áspera magia”.

A partir de domingo, surgem as representações guiadas pela dança, com “De Lés a Lés Saberás Quem És”, da responsabilidade da atriz Ângela Ribeiro e da bailarina Susana Rosendo, e “Na Ausência do Meu Corpo”, da associação cultural Marina Nabais Dança.

Entre os dias 7 e 10 de novembro, a Associação Cultural Artes e Engenhos proporciona a dois espetadores a possibilidade de assistirem à peça “Kaspar” (Peter Handke, 1967) “numa situação próxima à daquele elemento da equipa que, com o texto anotado, acompanha o ator” para o socorrer no caso de uma “aflição inesperada”.

A experiência fica completa com uma instalação sonora da autoria do artista João Ferro Martins – “Intervalo” -, desenvolvendo uma peça que “dialoga com o interior do edifício teatral e com o espetáculo de auto teatro”.

Até ao fim da MTA destaca-se, ainda, a encenação de uma “seleção de poemas e canções” do alemão Bertolt Brecht, sob o título de “Solilóquio de uma Atriz”, com interpretação e direção de Isabel Leitão (Oficina de Teatro de Almada), e do conto “A Bela e o Monstro” (Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont), adaptado por Diogo Novo, do grupo teatral Plateias D’Arte.

“Migrações” é o “título provisório” da última apresentação a entrar em palco, no dia 19, um “trabalho em processo” que narra “na primeira pessoa a vinda de Moçambique para Portugal” e as dificuldades que a mudança implica na tentativa de “erguer um sentido para o fluxo de palavras e de frases, num ritmo fora da área conversacional”.

Rogério de Carvalho e Sandra Hung são os criadores deste “primeiro esboço” e representam a companhia de teatro Artes e Engenhos, que irá atuar e fechar a mostra onde esta começou, no Teatro-Estúdio António Assunção.

Organizada pela Câmara de Almada, com grupos de teatro locais desde 1996, a MTA envolve ainda companhias como Alpha Teatro, Actos Urbanos/Teatro de Areia e Teatro&Teatro de O Mundo do Espectáculo, EmbalArte, Grupo da Associação Cultural Manuel da Fonseca, Lagarto Amarelo, Ninho de Víboras, Novo Núcleo de Teatro, O Outro Lado, O Grito&Rugas, Oficina de Teatro de Almada, Teatro ABC.PI, Teatro Extremo e Teatro de Papel.

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