Nos documentos secretos que foram recentemente desclassificados e divulgados pela Casa Branca há referências ao ativista que liderou a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos. Um dossiê do FBI exclusivamente dedicado a Luther King descrevia-o como “um marxista de corpo e alma” que se envolvia em “atos adúlteros”, que estaria envolvido com, pelo menos, quatro mulheres, entre elas a cantora Joan Baez.

O ficheiro, apesar de estar incluído no lote de documentos relacionados com o assassinato do presidente John F. Kennedy, não tem qualquer relação com o assunto. Trata-se de um perfil de Luther King feito através do cruzamento de fontes anónimas e poderá ter sido produzido para difundir uma imagem negativa do ativista, que tinha ganho poucos anos antes o Prémio Nobel da Paz.

Martin Luther King estaria envolvido “num caso amoroso ilícito com a mulher de um dentista negro importante de Los Angeles, Califórnia, desde 1962”, e desse envolvimento teria nascido uma filha, que só poderia ser de King, já que “o marido dela é alegadamente estéril”. O relatório diz ainda que a criança era parecida com King e que o ativista contribuía financeiramente para a educação da menina e telefonava à referida mulher todas as quartas-feiras.

King estaria ainda envolvido “em casos amorosos com outras três mulheres, uma delas Joan Baez, a cantora folk conhecida em todo o país”. O documento conclui que “é um facto que King não só se envolve em atos adúlteros como também gosta do anormal, envolvendo-se em orgias sexuais em grupo”.

No documento são referidas também alegadas ligações ao partido comunista dos EUA. De acordo com o ficheiro, os discursos de Luther King seriam previamente aprovados por elementos comunistas, uma vez que o ativista era “intelectualmente lento” e não conseguiria escrever um discurso “sem ajuda”. Segundo o relatório, a organização cristã de Luther King, a Southern Christian Leadership Conference, não passava de um esquema de fuga aos impostos ligado ao partido comunista.