Mais de 3.200 pessoas visitaram a exposição “Attero”, do artista português Bordalo II, em Lisboa, no fim de semana inaugural, disse esta segunda-feira à Lusa a curadora da mostra.

“Attero” inaugurou no sábado às 16h00, tendo nesse dia sido visitada, até às 20h00, por cerca de 1.500 pessoas, tendo chegado a haver, de acordo com a curadora Lara Seixo Rodrigues, “filas de espera de duas horas”.

Segundo a responsável, no domingo, dia em que a mostra esteve aberta entre as 14h00 e as 20h00, passaram pelo n.º 49 da rua de Xabregas cerca de 1.700 pessoas. Lara Seixo Rodrigues destacou a “diversidade de idades” dos visitantes, entre os quais “muitas crianças”, e o facto de muitos terem levado os cães, já que o espaço permite a entrada de animais.

A exposição, de entrada livre, pode ser visitada até 26 de novembro, de quarta-feira a domingo entre as 14h00 e as 20h00.

“Attero” é uma exposição retrospetiva, composta por trabalhos novos que são uma extensão das obras que Bordalo II tem criado em vários locais do mundo, na rua, com lixo.

Bordalo II – o primeiro era o avô, artista plástico Real Bordalo, que morreu em junho, aos 91 anos – começou pelo graffiti, que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas com recurso a lixo e desperdícios.

Os trabalhos com recurso a desperdícios começaram como uma experiência. Inicialmente, recordou o artista em declarações à Lusa, gostou do efeito criado pela junção de embalagens, mas, mais do que isso, percebeu “o potencial que podia ter a utilização do lixo, não só a nível estético, mas a nível conceptual”.

No âmbito da exposição criou três peças na rua, que fazem parte da série “Big Trash Animals” (algo como Grandes Animais de Lixo): uma raposa na avenida 24 de Julho, um sapo na rua da Manutenção e um macaco no pátio do armazém onde está patente “Attero”.

Os trabalhos expostos em “Attero” são feitos “com materiais totalmente diferentes daqueles que são utilizados na rua, porque podem ter um grau de detalhe muito diferente”.

No entanto, “há sempre uma relação, não só de escala mas do tipo de material utilizado”. “As peças que faço para dentro são quase como um complemento das peças que eu faço cá fora, por isso há uma relação entre uma coisa e outra”, explicou.

“Attero” inclui também várias atividades, como “visitas guiadas, visitas para as escolas, mediante marcação, apresentações muito interessantes, uma delas pelo biólogo João Farinha que vai falar sobre peculiaridades dos animais tendo por base os animais que estão expostos, apresentação de produtos parceiros da exposição, altamente ecológicos e inovadores, apresentação de um projeto da Câmara de Lisboa e ‘workshops’ para crianças”.

No âmbito da mostra será ainda apresentado um livro, que inclui testemunhos sobre o trabalho de Bordalo II, “de vários pontos de vista”, de pessoas ligadas às artes a ambientalistas, passando pelo atual ministro do Ambiente, Matos Fernandes.