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Ciência

De que morreu Chopin? O coração do compositor, conservado em conhaque durante 168 anos, dá novas pistas

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Cientistas polacos observaram o coração do compositor, mergulhado num frasco de conhaque desde 1849, e descobriram que terá morrido de complicações relacionadas com tuberculose.

Getty Images

Os restos mortais de Frédéric Chopin, que morreu em Paris a 17 de outubro de 1849, com apenas 39 anos, estão sepultados no cemitério de Père Lachaise, na capital francesa. O coração do compositor e pianista polaco, porém, está há 168 anos depositado num frasco, mergulhado naquilo que se crê ser conhaque — reza a História que Chopin tinha tanto medo de ser enterrado vivo que deu instruções para que o órgão lhe fosse arrancado do corpo depois de morto e de seguida enviado para Varsóvia.

Tirando os anos em que, durante a Segunda Guerra Mundial, foi usurpado pelos nazis, o coração de Chopin esteve sempre protegido no interior de um dos pilares da Igreja de Santa Cruz, na capital polaca. Foi de lá que, no passado dia 14 de abril de 2014, uma pequena equipa de cientistas, sacerdotes e membros do Instituto Chopin, voltaram a retirar o frasco, na tentativa de apurar as causas de morte do compositor.

Ao todo, tiraram mais de mil fotografias ao órgão, sempre através do vidro e do conhaque, num silêncio reverencial. E sem abrirem o frasco, em cuja tampa ainda aplicaram cera quente, para prevenir a evaporação do líquido conservante, revela agora o The New York Times, que teve acesso ao relatório preliminar dos investigadores. A versão integral do texto deverá ser publicada na edição de fevereiro de 2018 do American Journal of Medicine.

Ao que tudo indica, o pianista terá morrido de complicações relacionadas com tuberculose, dizem os cientistas. O facto de o coração estar “massivamente dilatado e flácido” e coberto de uma substância branca levou os especialistas a concluir que Chopin sofreu de uma pericardite, uma inflamação da membrana que reveste o coração, muito provavelmente provocada por tuberculose.

Até agora, a teoria aceite era a de que o compositor tinha morrido de fibrose quística, uma doença crónica e hereditária que afeta o pâncreas.

Michal Witt, o líder da equipa de cientistas, explicou ao jornal norte-americano, em entrevista telefónica, a importância da descoberta para os polacos, que terão no coração de Frédéric Chopin uma espécie de símbolo de identidade nacional: “Para os polacos, este pedaço do corpo de Chopin que ainda permanece no país tem muito valor emocional”.

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