Adquirida pelo grupo automóvel francês PSA já este ano, o futuro da Opel permanece uma incógnita, sabendo-se apenas, para já, que o novo dono pretende aplicar um plano de reestruturação. O qual, noticiou já esta semana o diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, deverá passar não apenas pelo emagrecimento e redução de custos, como também pela aposta em novos domínios e direcções. Das medidas a implementar poderá fazer parte não só uma redução no número de modelos, mas também um reforço da vertente eléctrica.

Menos modelos, mais mercados

Relativamente à redução no número de modelos, a mesma publicação explica que o desejo do grupo francês é que a Opel passe a dedicar-se apenas aos segmentos em que consegue maior margem de lucro. Apostando, ao mesmo tempo, numa redução dos descontos e esforçando-se por vender os carros o mais próximo possível do preço anunciado de venda ao público. Deste esforço de optimização faz ainda parte a decisão de cortar o número de matrículas feitas com o objectivo de conseguir volume, além da já aguardada redução nos custos de produção.

Igualmente previsto, segundo o diário alemão, está que a marca alemã passe a fazer as suas aquisições de forma integrada com as restantes marcas da PSA, mas também que venha a operar em mercados que até aqui lhe estavam vedados, pelo facto de pertencer à General Motors.

Plataformas, motores e transmissões serão PSA

Com apresentação agendada para esta quinta-feira, numa conferência de imprensa levada a cabo pelo novo CEO da Opel, Michael Lohscheller, na sede da empresa, em Rüsselsheim, Alemanha, e em que também marcará presença o homem-forte do grupo PSA, Carlos Tavares, o plano de reestruturação elaborado pela equipa do gestor português reafirma ainda a intenção de que os futuros modelos Opel venham a utilizar as mesmas plataformas, motores e transmissões das restantes marcas do grupo.

A fundamentar tal decisão, não apenas a natural redução de custos daí decorrente, mas também a necessidade de alcançar objectivos em termos de consumos e emissões que, na opinião da PSA, dificilmente seria alcançados com as actuais soluções que a marca alemã utiliza.

Eléctrico é o futuro

Quanto ao centro técnico em Rüsselsheim, coração da inovação da Opel, o desejo da PSA é, ao que tudo indica, que se torne um pólo de competências em termos de engenharia. Embora focado, parcial ou totalmente, no desenvolvimento de novas soluções em termos de mobilidade eléctrica. Cuja aplicação não ficará, contudo, reduzida aos produtos da marca alemã, antes se destinará a todos os modelos das marcas do grupo automóvel francês.

Objectivo: breakeven já em 2019

Com o plano de reestruturação que a equipa liderada por Carlos Tavares tem em mente aplicar na Opel, o objectivo passa, desde já, por controlar as perdas com que a marca alemã se debate. Repetindo, de certa forma, a mesma estratégia aplicada pelo português, após a sua entrada na PSA, e que acabou por recolocar o grupo francês no caminho dos lucros, depois de anos de prejuízos.

No caso da marca de Rüsselsheim, os objectivos estão já definidos: alcançar o breakeven nas contas, já em 2019, para chegar a 2020 com uma margem operacional de 2%.

Resta agora aguardar por quinta-feira, para saber, em pleno, todos os detalhes deste plano estratégico que deverá recolocar a Opel no bom caminho. Aqui no Observador, vamos acompanhar tudo em directo, a partir das 08h15.