Comprada, em Agosto último, pelo grupo automóvel francês PSA, à norte-americana General Motors, a alemã Opel apresentou, esta manhã de quinta-feira (e o Observador transmitiu em directo), o plano de reestruturação que deverá ser aplicado pelo fabricante de Russelsheim. E que, entre as principais medidas, confirma a decisão de utilizar plataformas PSA em todos os futuros modelos do marca do relâmpago, mas principalmente a criação de uma gama totalmente electrificada até 2024.

No evento, que contou com a presença o homem-forte do Grupo PSA, o português Carlos Tavares, coube ao seu homólogo da Opel, Michael Lohscheller, apresentar o plano estratégico a que foi dado o nome de “PACE!”. E que deverá fazer regressar a marca alemã aos bons resultados – ela que perdeu dinheiro durante os últimos 15 anos, sob a batuta da GM –, dotando-a, ao mesmo tempo, de uma forte saúde financeira. Algo que deverá ser conseguido, entre outras novidades, com a utilização de plataformas e tecnologia PSA em todos os futuros modelos Opel/Vauxhall, inclusivamente, mais cedo que o inicialmente previsto. Ou seja, já a partir de 2024.

Menos plataformas, menos motores

Ao mesmo tempo, e segundo a estratégia agora divulgada, a marca alemã deverá reduzir o número de plataformas em utilização, das actuais nove para apenas duas, assim como o número de motores, dos 10 que actualmente possui, para apenas quatro. Decisão que, de certa forma, vem confirmar notícias recentes segundo as quais o objetivo do novo dono da Opel é que o fabricante alemão se dedique apenas aos segmentos em que é verdadeiramente lucrativo.

Ainda sobre a questão dos modelos, Lohscheller revelou que os primeiros Opel a utilizarem as arquitecturas PSA (além dos actuais Crossland X e Grandland X, já em comercialização e cujo acordo foi assinado anteriormente à aquisição) serão o novo Combo e a próxima geração do Corsa, agendada já para 2019. A que seguirá uma estratégia que, segundo o mesmo responsável, passa por “um grande lançamento”, todos os anos. No total e contabilizando já todos os tipos de carroçaria, a Opel promete lançar pelo menos nove modelos até 2020. Isto depois de anunciar 7 novos veículos em 2017.

É Michael Lohscheller, o novo CEO da Opel, que vai implementar o exigente plano PACE!, destinado a trazer a marca alemã, agora pertença do Grupo PSA, aos lucros, de que está afastada há 15 anos

“Alinhando as arquitecturas e as famílias de motores, conseguiremos diminuir a complexidade dos processos de desenvolvimento e produção, ao mesmo tempo que isso nos permitirá beneficiar dos efeitos de escala e das sinergias, contribuindo assim para uma maior rentabilidade”, comentou o CEO da Opel. E, como é óbvio, esta rentabilidade acrescida, por parte da Opel, vai igualmente permitir maiores margens de lucro às restantes marcas da PSA, designadamente Citroën, DS e Peugeot, fazendo maravilhas às contas do grupo francês.

Versões electrificadas de todos os modelos até 2024

Outro objectivo igualmente importante, entre os assumidos pelo líder da marca germânica na conferência de imprensa desta manhã, foi o de tornar a Opel “o líder europeu em termos de emissões de CO2“. Algo que deverá ser alcançado, segundo Lohscheller, através da electrificação da totalidade da gama da marca, até 2024, passando assim a oferecer versões eléctricas ou híbridas plug-in, lado a lado com “motores de combustão interna mais eficientes”. Sendo que, até ao final da década, a marca alemã espera poder vir a contar com quatro modelos eléctricos, incluindo uma versão PHEV do SUV Grandland X e uma versão 100% eléctrica do novo Corsa.

Decretado ficou também que o centro técnico de Russelsheim passará a ser oficialmente responsável por todos os futuros modelos da Opel, devendo também tornar-se num centro global de competências, a trabalhar não apenas para a marca alemã, mas para todo o grupo PSA. Sendo também aí que engenheiros alemães e franceses passarão a trabalhar em diferentes áreas, como o desenvolvimento das células de combustível (que os alemães desenvolvem desde 2001, num Opel Zafira), algumas tecnologias de condução autónoma e novos sistemas de assistência ao condutor.

Mais 20 novos mercados à vista

A marca alemã deverá avançar para mais de 20 novos mercados, até 2022, muitos dos quais lhe estavam interditos devido ao facto de pertencer à GM, assim como “explorar oportunidades globais de exportação que possam revelar-se lucrativas”.

De resto, em termos financeiros, os objetivos passam por regressar aos lucros já em 2020, garantindo uma margem operacional de 2%, assim como um fluxo de capital operacional positivo. As modificações a introduzir no negócio da Opel vão igualmente permitir que o ponto de breakeven possa surgir numa produção de 800.000 veículos/ano. Curiosamente, o CEO da Opel recusou-se a divulgar qual o valor em que o equilíbrio financeiro é hoje atingindo, apesar de existir quem avançasse que se este possa situar-se na proximidade dos 2 milhões de veículos.

PACE! vai ajudar-nos a libertar todo o nosso potencial. Este plano é primordial para a empresa, para proteger os nossos funcionários de ventos contrários e voltar a fazer da Opel/Vauxhall uma companhia sustentável, lucrativa, electrificada e global”, afirmou ainda Lohscheller.

Isto enquanto Carlos Tavares salientava a dramática situação em que a Opel se encontrava e a importância de recuperar urgentemente a empresa, para o qual admitiu que a administração não tem de ser popular, mas sim eficiente e competente, tal como o próprio português foi recentemente, quando salvou a PSA de uma quase falência – teria mesmo falido se o Estado francês e os chineses da Dongfeng não tivessem adquirido parte do capital. O gestor congratulou-se ainda pela forma como decorrem as negociações com os sindicatos, com cerca de 80% dos trabalhadores a prometer aceitar as medidas que têm de ser tomadas.

Se quer saber mais sobre o plano que promete mudar o futuro da Opel, veja o vídeo.

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