A gestão do antigo Banco Espírito Santo (BES) terá responsabilidades graves no colapso da instituição. E as más práticas executadas por essa equipa – liderada por Ricardo Salgado – terão gerado um prejuízo global para o BES de 5,9 mil milhões de euros, o que conduziu, ou agravou, inelutavelmente, a situação de insolvência em que se encontra”. Esta é a principal conclusão da comissão liquidatária do banco, de acordo com as notícias publicadas hoje pelo Jornal de Negócios e pelo Correio da Manhã.

O parecer da comissão aponta claramente o dedo à equipa de gestores e a condutas que implicam “dolo ou culpa grave” e vai agora ser colocado à avaliação do Ministério Público (MP): no total, são responsabilizadas 13 pessoas, envolvendo toda a gestão do BES, que inclui, além de Salgado, José Manuel Espírito Santo, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi, António Souto, João Freixa, Joaquim Goes, Jorge Martins, Rui Silveira e Stanislas Ribes e ainda Manuel Fernando Espírito Santo, Pedro Mosqueira do Amaral e Ricardo Abecassis.

Todos terão diferentes níveis de envolvimento, decisão e responsabilidade no processo que conduziu à queda do BESo, conclui o mesmo documento. O Ministério Público tem agora 60 dias para se pronunciar sobre a proposta da comissão, podendo os visados contestar.

Entre as situações que a comissão liquidatária formada por César Brito, Miguel Alçada e Joana Martins destacam para sustentar o seu parecer estão as às cartas conforto a entidades da Venezuela, em que o banco assumia o pagamento de dívidas contraídas pela ESI e Rioforte, do GES, por terem sido feitas contra normas legais do BES e violando determinações do Banco de Portugal.

A venda de papel comercial da ESI e Rioforte aos balcões do BES e a concessão de financiamentos a sociedades do grupo, como a Esfil, a Rioforte e a Escom, compõem outros níveis de análise da culpa dos visados, em que Ricardo Salgado é apontado como determinando, sozinho ou em co-autoria, as principais acções.