O jantar que juntou um grupo exclusivo de participantes do Web Summit, os chamados f.ounders, no Panteão Nacional está longe de ser o único repasto a ter acontecido no monumento onde estão sepultadas algumas das figuras mais ilustres da história de Portugal. Além de um jantar da NAV (Navegação Aérea, uma empresa pública), houve outro da empresa de eventos Dynamic & Partners, em 2013, quando Barreto Xavier era o responsável pela Secretaria de Estado da Cultura no governo PSD/CDS.

O jantar ocorreu antes de ter sido feito o despacho que criou as normas para o aluguer de monumentos nacionais para eventos privados, em 24 de junho de 2014.

Captura de ecrã do site da empresa de catering Casa do Marquês

O nome do ex-governante surgiu nesta polémica depois de o gabinete do primeiro-ministro e também o Ministério da Cultura se terem distanciado do evento ocorrido na sexta-feira à noite, referindo ainda que ele estava legalmente enquadrado no despacho número 8356/2014. Contactado a meio da tarde pelo Observador, Jorge Barreto Xavier sublinhou que o despacho previa a rejeição de eventos que ferissem a “dignidade” do monumento em causa e disse que importa “perceber o que é que é o evento”. “É diferente se for uma homenagem à Sophia Mello Breyner Andresen ou um encontro de Estado para homenagear os grandes portugueses da primeira república por exemplo”, disse, então.

Em relação ao jantar de de 2013 da Dynamic & Partners, de que o Observador soube através do site da empresa de catering responsável pelo evento, Jorge Barreto Xavier rejeita que esta situação seja comparável ao jantar da Web Summit, referindo que nessa altura ainda não havia nenhum “quadro regulamentar que criasse critério sobre essas atividades”.

Ao Observador, o ex-governante explica que a realização de eventos particulares em monumentos nacionais já acontecia “há muitos anos” e que a sua intervenção nesta questão foi a criação de um “parâmetro sobre estas matérias”. Sobre o jantar da Dynamic & Partners em 2013 em concreto, Jorge Barreto Xavier diz que desconhece esse evento, que terá contado com 190 pessoas. “Não é normal que o Governo saiba de tudo o que se passa”, explica.

Sobre o jantar da Dynamic & Partners em 2013, diz que “continua a não achar correto”, mas argumenta que isso “não significa que o grau de responsabilidade seja o mesmo” em relação ao atual Governo e ao jantar da Web Summit. “Porque eu fiz alguma coisa para melhorar a situação”, explica. “Quando há um problema, quem está no poder tem de melhorar em vez de dizer ‘isto não é connosco’.”

Jorge Barreto Xavier nega ter “responsabilidade política” em relação ao evento de 2013 — “só faltava!” — e defende a atuação do Governo de que fez parte, entre outubro de 2012 e outubro de 2015. “O que nós fizemos foi melhorar o sistema de avaliação”, sublinha.

Ao Observador, o ex-secretário de Estado mantém a crítica inicial que fez ao Governo de António Costa “em relação à decisão que tomou em vez de assumir a responsabilidade e a culpa”.