Um sismo de magnitude 7.3 na escala de Richter foi registado no Iraque, perto da cidade de Halabja, que fica na fronteira com o Irão. O sismo de magnitude 7,2 que atingiu no domingo a fronteira entre o Irão e o Iraque causou pelo menos 530 mortos e 7.460 feridos, segundo um novo balanço divulgado pela agência noticiosa estatal iraniana IRNA. Segundo as autoridades, o sismo destruiu mais de 12.000 casas.

O balanço anterior era de 445 mortos e 7.370 feridos.

O maior número de mortos concentra-se no Irão – onde o balanço provisório tem vindo a aumentar com o passar das horas -, todos na província ocidental de Kermanshah. No vizinho Iraque, o número oficial de vítimas é de oito mortos e mais de 336 feridos.

O serviço geológico dos Estados Unidos começou por anunciar que o abalo registou 7.2 na escala, tendo depois revisto o número para 7.3. A televisão iraniana, segundo revela a AP, fala numa magnitude de 7.4. Depois de inicialmente ter colocado o epicentro do sismo no lado iraquiano da fronteira, o USGS colocou-o esta segunda-feira – assim como o seu homólogo iraniano – no Irão, perto da fronteira, cerca de 50 quilómetros a norte de Sarpol-e Zahab, a cidade mais afetada, com 236 mortos.

O departamento de Meteorologia do Iraque declarou que o tremor de terra foi sentido na maior parte do país, mas definiu a magnitude do abalo como sendo de apenas 6.5. Os media estatais iranianos chegaram a noticiar que o número de mortos fixava-se nos 30. “Neste momento, temos 30 mortos em diferentes cidades”, declarou ao canal estatal Mojtaba Nikkerdar, vice-governador da província de Kermanshah (oeste do Irão e zona fronteiriça com o Iraque), indicando que o número de vítimas mortais seria “provisório” e poderia aumentar. O anterior balanço nacional de vítimas dava conta de seis mortos, todos na província de Kermanshah.

“Há danos a registar em pelo menos oito aldeias”, declarou Morteza Salim, responsável do Crescente Vermelho iraniano, citado pela BBC. “Outras aldeias tiveram cortes de eletricidade e o seu sistema de telecomunicações também foi afetado.”

O sismo terá sido sentido noutros países do Médio Oriente, como a Arábia Saudita, Israel e até na Turquia. Alguns vídeos nas redes sociais parecem ter registado o momento em que se sentiu o tremor de terra.

Basel Rasol, habitante em Bagdade contou ao Observador que no momento do sismo estava numa esplanada com amigos. “Sentimos um enorme abanão e toda a gente começou a gritar e a correr para um local sem prédios por perto”. Não consegue precisar ao certo quanto tempo durou mas pareceu “durar minutos sem fim”. Logo após o sismo, ficou sem comunicações, o que o impediu de falar com o resto da família mas que pouco depois soube que estariam todos bem.

Também Evan Al Qass Toma, ex-habitante de Mossul, falou ao Observador e diz que passou “minutos de puro pânico”. Com 26 anos, Evan vivia em Mossul, cidade que esteve sob o domínio do Estado Islâmico e que foi palco de guerra desde março de 2016, motivo que o obrigou a sair da sua cidade natal. Quando relatou como viveu o sismo, Evan contou que a primeira coisa que pensou foi que seria “outra bomba, mas muito mais forte do que as outras todas”.

O exército português tem elementos, numa missão internacional liderada pelos Estados Unidos – com o objetivo de eliminar o Estado Islâmico (EI) do Iraque – a poucos quilómetros da capital, Bagdade. Fonte do exército contactada pelo Observador adianta que “os militares portugueses encontram-se bem e seguros. Não foi feito qualquer report a Portugal devido ao sismo e por isso as tropas portuguesas encontram-se bem”.

(Atualizado às 16h10 com novas informações sobre o número de vítimas mortais)