Em 1992, alguns cientistas criaram a Union of Concerned Scientists: uma organização sem fins lucrativos que tinha como objetivo estudar, trabalhar e pensar sobre as alterações climáticas e o impacto das sociedades no mundo natural. Na altura, lançaram a “advertência dos cientistas do mundo à humanidade”. O artigo era assinado por mais de 1.700 investigadores – muitos deles galardoados com o prémio Nobel – e alertava para uma “grande miséria humana” e um planeta “irremediavelmente mutilado” pelo comportamento da humanidade.

Exatamente 25 anos depois, chegou o segundo aviso. Mais de 15 mil cientistas e investigadores de 184 países voltam a dirigir-se ao mundo inteiro e revelam que a maioria dos problemas enumerados no primeiro artigo estão “a piorar alarmantemente”. O documento foi redigido por uma equipa da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, e destaca as alterações climáticas, a desflorestação, a perda de acesso a água doce, a extinção de espécies e o excessivo crescimento da população humana como as principais ameaças ao planeta Terra.

A humanidade não está a tomar as medidas urgentes necessárias para salvaguardar a nossa biosfera em perigo”, disseram os cientistas em entrevista à BioScience, para depois acrescentar que “quem assinou esta segunda advertência não só não estão a dar um falso alarme, como estão a reconhecer os sinais óbvios de que estamos a tomar um caminho insustentável”.

Apesar da paisagem pouco otimista, os investigadores realçam que é possível fazer a diferença quando atuamos de maneira decisiva. A diminuição global das substâncias que destroem a camada de ozono e a emergência das energias renováveis são apontadas como duas grandes soluções encontradas pelos líderes mundiais para lidar com as ameaças ambientais. Os autores enumeram o estabelecimento de reservas terrestres e marítimas, as leis contra a caça furtiva, o planeamento familiar e a adoção massiva das energias renováveis como as medidas mais importantes a tomar por todos os países.

No final do artigo, os cientistas deixam um aviso: “Em breve vai ser demasiado tarde para mudar o rumo da nossa trajetória falida e o tempo vai acabar. Devemos reconhecer, na nossa vida quotidiana e nas nossas instituições de governo, que a Terra com toda a sua vida é o nosso único lar”.