Quando Rodrigo Duterte ainda estava em campanha presidencial, prometeu combater o crime – especialmente o tráfico de droga – de forma implacável. Há uns meses, o agora presidente das Filipinas admitiu matar o filho caso fossem provadas as acusações de que está envolvido no tráfico de droga. A semana passada, disse que esfaqueou uma pessoa até à morte quando tinha 16 anos. Este domingo, cantou uma canção de amor a pedido de Donald Trump.

O momento decorreu durante o jantar de gala da cimeira da ASEAN, a Associação de Nações do Sudeste Asiático, na qual o presidente dos Estados Unidos da América está presente. Pilita Corrales, uma artista pop filipina, cantava a canção ‘Ikaw’, que significa ‘tu’ em filipino, quando Duterte se juntou à canção.

[jwplatform fCoWxzGn]

“Tu és a luz no meu mundo, uma metade deste meu coração”, cantou o presidente das Filipinas “sem ser convidado” e “por ordens do comandante-chefe dos Estados Unidos”.

As Filipinas são uma antiga colónia dos Estados Unidos da América, com quem têm laços desde a Segunda Guerra Mundial. Contudo, as relações entre americanos e filipinos não têm sido as melhores. Em julho, Duterte disse que nunca iria visitar os Estados Unidos, que descreveu como sendo “péssimo”, e tem procurado alianças com a China e a Rússia.

A relação de Duterte com Trump é bastante melhor do que a relação – ou falta dela – que Duterte tinha com o anterior presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o qual mandou “para o inferno”. O presidente das Filipinas felicitou Trump quando este venceu as eleições e Trump congratulou Duterte pela sua campanha contra a droga.

A ‘guerra’ de Duterte contra o tráfico de droga já fez quase 4.000 mortos, de acordo com números oficiais da polícia. No entanto, estima-se que o número total de mortes seja superior a 9.000 se somados os homicídios de supostos toxicodependentes e traficantes atribuídos a indivíduos ou patrulhas de moradores. Organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos afirmam que a polícia filipina executa consumidores e passadores de droga, bem como elementos das suas famílias.

A cimeira da Asean conta com a presença dos líderes dos 10 países membros e da China, Rússia, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

Trump não fala publicamente sobre a campanha antidrogas de Duterte

Esta segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos evitou a questão dos direitos humanos na sua visita às Filipinas, rejeitando comentar a sangrenta campanha antidrogas lançada por Rodrigo Duterte.

Trump elogiou repetidas vezes Duterte e referiu-se a este pelo nome próprio, evitando criticar a situação dos direitos humanos no país. Os dois homens riram juntos quando Duterte chamou “espiões” aos jornalistas.

Durante um breve encontro com os jornalistas, Trump afirmou que tem “uma ótima relação” com Duterte, evitando responder sobre se mencionou a questão dos direitos humanos.

Rompendo com uma tradição dos líderes norte-americanos, Trump deixou de pressionar líderes estrangeiros em público sobre questões relativas aos direitos humanos.

A Casa Branca informou mais tarde que os dois lideres falaram, durante 40 minutos, da organização extremista Estado Islâmico, drogas ilegais e do comércio bilateral. A porta-voz da administração Trump, Sarah Huckabee Sanders, disse que os direitos humanos foram “brevemente” mencionados, no contexto da campanha antidrogas, mas sem detalhar se Trump foi critico desta.

Já Harry Roque, porta-voz de Duterte, disse que os direitos humanos e execuções extrajudiciais não foram abordados.

Donald Trump iniciou uma ’tour’ pela Ásia no dia 5 de novembro, tendo visitado o Japão, a Coreia do Sul, a China, o Vietname e as Filipinas. A visita de Trump às Filipinas termina no dia 14 de novembro, concluindo assim a mais longa viagem desde que é presidente.