O ator canadiano Christopher Plummer disse esta quarta-feira não se sentir o substituto do norte-americano Kevin Spacey, no novo filme de Ridley Scott, “Todo o dinheiro do mundo”, já que também era candidato ao papel.

Questionado pelos jornalistas sobre se sentia substituto de Kevin Spacey, afastado do filme depois de ter sido acusado de abusos sexuais, Christopher Plummer respondeu que “não”. “Nada, porque éramos ambos possíveis escolhas para o papel — o mesmo papel — há meses, portanto, numa maneira algo cómica, irónica, está a voltar para mim”, afirmou o ator, citado pela agência Associated Press, à margem da abertura de uma exposição na Biblioteca Pierpont Morgan, em Nova Iorque.

Kevin Spacey, que já tinha gravado a sua participação em “Todo o dinheiro do mundo”, foi afastado do filme depois de terem vindo a público várias acusações de assédio e abuso sexual.

A um mês e meio da estreia, Ridley Scott substitui Kevin Spacey no filme “All The Money In The World”

De acordo com a distribuidora Cinemundo, num comunicado divulgado na semana passada, as novas filmagens de “Todo o dinheiro do mundo”, de Ridley Scott, “para substituição das previamente rodadas com o ator Kevin Spacey, terão lugar em Londres entre segunda-feira e 25 de novembro, em Itália nos dias 26 e 27, e, finalmente, em Roma, a 28 e 29 de novembro”.

Segundo a distribuidora, na próxima semana “estarão disponíveis novos ‘posters’ do filme, já sem o nome de Kevin Spacey nos créditos. “Na primeira semana de dezembro estará disponível um ‘trailer’ sem as cenas onde surgia o ator”, lê-se ainda no comunicado.

“Todo o dinheiro do mundo”, cuja história se centra no rapto do neto do milionário do petróleo Paul Getty e na luta dos pais para o resgatarem, estreia nos Estados Unidos a 22 de dezembro e em Portugal a 25 de janeiro de 2018.

O papel de Paul Getty será agora interpretado por Christopher Plummer.

Entretanto, no início de novembro, a plataforma de ‘streaming’ Netflix anunciou o rompimento de todos os laços com Kevin Spacey e que não irá continuar com “House of Cards” enquanto a série o incluir, na sequência do escândalo sexual.

A Netflix também decidiu afastar-se do filme sobre o escritor norte-americano Gore Vidal, autor de obras como “Lincoln” ou “Império”, que morreu em 2012, que o ator acabou de gravar e que inicialmente ia ser emitido pela plataforma digital.

Segundo testemunhos recolhidos por The Hollywood Reporter, o guião da sexta e última temporada de “House of Cards” estava praticamente finalizado antes de o ator Anthony Rapp ter acusado Kevin Spacey, de assédio sexual, dando conta de um caso que remontará ao ano de 1986, quando ambos tinham 14 e 26 anos, respetivamente.

Segundo a CNN, oito atuais e antigos funcionários de “House of Cards” acusaram Spacey de ter tornado tóxico o ambiente da produção da série, por causa do assédio sexual.

A primeira denúncia, feita por Anthony Rapp, levou Kevin Spacey a assumir a sua homossexualidade e também a garantir que não se recordava do episódio relatado pelo ator apesar de ter dito que, se realmente aconteceu, lhe devia “sinceras desculpas” pelo seu comportamento.