O Tribunal da Corunha, na Galiza, fixou esta quarta-feira em 1.573 milhões de euros o montante da indemnização que o Estado espanhol deve receber dos responsáveis pela maré negra provocada pelo petroleiro Prestige em 2002.

A deliberação que determina as indemnizações também prevê 61 milhões para o Estado francês, pelo facto de a costa do noroeste de França também ter sido afetada.

Os principais condenados são o capitão do navio, Apostolos Ioannis Mangouras, hoje octogenário, e a sua seguradora, a britânica The London Steamship Owners Mutual Insurance Association. No entanto, a sociedade proprietária do petroleiro e o Fundo internacional de indemnização das marés negras (FIDAC) também poderão ser obrigados a uma compensação.

A Junta da Galiza deverá também receber 1,8 milhões de euros pelas despesas de reciclagem do combustível, para além das somas atribuídas a outras entidades, câmaras e particulares.

No auto são destacados danos morais, calculados em 363 milhões de euros, porque “são óbvios, extensos e profundos, não apenas pelo sentimento de temor, ira e frustração que afetou grande parte dos cidadãos espanhóis e franceses”. As entidades abrangidas pela decisão poderão interpor recurso no Supremo Tribunal.

A 19 de novembro de 2002, o petroleiro liberiano Prestige, com pavilhão das Bahamas, afundou-se no Atlântico, ao largo da Galiza, seis dias após sofrer uma avaria durante uma tempestade. Durante várias semanas, mais de 63 mil toneladas de combustível foram derramadas, poluindo milhares de quilómetros do litoral de Espanha, Portugal e França.

Mais de 300 mil voluntários de toda a Europa participaram na limpeza da costa.