A pressão sobre o Governo não diminui. Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considera que a greve de professores marcada para esta quarta-feira vai ser “determinante” para o desfecho das negociações com o Executivo socialista. “Só é pena que tenhamos chegado até aqui”, desabafou o dirigente sindical.

Em entrevista à RTP, Mário Nogueira acusou o Governo de ter protagonizado “algumas manobras” de diversão ao longo do dia de terça-feira, no sentido de “criar confusão” entre professores e desmobilizar a greve. O líder da Fenprof referia-se ao facto de o Ministério da Educação ter falado em avanços positivos na reunião de ontem e de ter mostrado abertura para descongelar sete dos nove anos e meio de carreira que os professores reclamam.

“Não estamos a negociar o tempo que as pessoas trabalharam”, reiterou esta quarta-feira Mário Nogueira. Por isso, uma “greve histórica” como a que está prevista para esta quarta-feira, insistiu Mário Nogueira, será “determinante” para dar força negocial aos professores.

Mesmo mantendo essa exigência, Mário Nogueira mostrou-se disponível para, em conjunto com o Governo, encontrar “uma forma faseada no tempo de fazer esta recuperação” dos nove anos e meio de carreira que estiveram congelados, admitindo, inclusive, que esse esforço podia ir para lá do fim desta legislatura.

Na noite de terça-feira, António Costa aproveitou o final da reunião da Comissão Política Nacional do PS para garantir que o Governo o “vai repor o cronómetro” da carreira dos professores a contar. Ainda assim, o primeiro-ministro acabaria por reconhecer que a reposição imediata e total dos anos de congelamento custaria 650 milhões de euros e, ainda que esse esforço fosse diluído no tempo, tal como propõem os sindicatos, seria muito difícil para os cofres do Estado.

Na RTP, Mário Nogueira não deixou de responder a António Costa. “O cronómetro teve parado duas vezes e para muita gente avariou. Apagar aquilo que as pessoas fizeram não é justo”, afirmou o dirigente sindical.