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Mário Nogueira: “O Governo já está a perceber a greve”

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Secretário-geral da Fenprof diz que não é preciso "cedência", mas sim "respeito" pelos trabalho dos professores. Adesão à greve ronda os 90% e são esperados entre 5 e 7 mil professores no Parlamento.

Manuel Almeida/LUSA

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse esta manhã ao Observador que o Governo “já está a perceber a greve”, depois de a secretária de Estado adjunta e da Educação, Alexandra Leitão ter anunciado que irá haver uma forma de contar o tempo de serviço da carreira docente.

“Se ela anunciou isso é porque já está a perceber a greve, porque ontem não disse nada disso”, afirmou Mário Nogueira ao Observador, em frente à Assembleia da República, onde se estão a concentrar esta manhã centenas de professores em protesto, exigindo o descongelamento das carreiras.

Contudo, Nogueira sublinhou que “não tem de haver cedências, tem de haver é respeito pelas pessoas que trabalharam e que têm o direito a progredir nas suas carreiras”.

À porta do Parlamento, onde esta manhã se discute o Orçamento do Estado para a Educação sem a presença do ministro Tiago Brandão Rodrigues, o sindicalista diz esperar que, “se nas negociações com o Governo não for possível chegar a um acordo, que seja a Assembleia da República a pressionar para ajudar a resolver a situação”.

Fenprof espera entre 5 e 7 mil professores junto ao Parlamento esta quarta-feira (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

No exterior da Assembleia da República, alguns dos professores com bandeiras das várias associações sindicais estão ainda a começar a concentração, mas vão reagindo às notícias que chegam do interior do Parlamento. “Já estão com medo. É porque a greve já está a fazer efeito”, comenta uma professora ao Observador, sem se querer identificar.

A mesma professora considera que uma solução faseada para a contagem do tempo de serviço não é a solução ideal, mas diz compreender. “Também não somos nenhuns animais, que não compreendemos que fazer isto de um dia para o outro implicaria gastar dinheiro que não há. Mas é preciso arranjar uma solução”, destaca.

Junto aos gradeamentos, na primeira fila do protesto, três professoras pedem uma selfie com Mário Nogueira. Sónia Rodrigues, 41 anos, Maria João Salgueiro, 40, e Armanda Gonçalves, 36, são três docentes da zona da Grande Lisboa que dizem sofrer na pele a injustiça do congelamento da progressão na carreira.

“Somos professoras há 16 anos, mas continuamos no primeiro escalão, como se estivéssemos no início da carreira”, comenta Sónia Rodrigues. “Mesmo com horas e horas de formação acumuladas e a trabalhar muitas vezes mais horas do que o suposto”, acrescenta Armanda Gonçalves.

As três professoras dizem ter “esperança” num resultado positivo, quer nas negociações entre os sindicatos e o Governo, quer no próprio debate na Assembleia da República desta quarta-feira. “Nós somos uma classe que quando se une é capaz de muita coisa”, sublinha Maria João Salgueiro.

Num painel à porta do Parlamento estão a ser colocados os números da adesão à greve em todo o país (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

Ao Observador, Mário Nogueira avançou os primeiros números de adesão à greve, detalhando que no primeiro tempo letivo desta manhã se registou 90% de adesão em todo o país, um número que deverá variar ao longo do dia consoante os professores que apenas participem na greve ao primeiro tempo.

No Parlamento, Nogueira diz estar à espera de entre 5 e 7 mil professores, “mas pode haver uma surpresa, uma vez que há muita gente que ainda não chegou a Lisboa e que se vai juntar a nós”. Apontando para uma das ruas adjacentes ao Parlamento, por onde uma grande coluna de professores vem a descer com bandeiras em punho, Nogueira exemplifica: “Como vê ainda há muita gente a chegar”.

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