O Presidente angolano, João Lourenço, pediu aos novos administradores da Sonangol, empossados após a exoneração de Isabel dos Santos, que “cuidem bem” da concessionária estatal petrolífera, porque a petrolífera é a “galinha dos ovos de ouro” de Angola.

Menos de 24 horas depois de a Casa Civil do Presidente da República ter anunciado, na quarta-feira, a exoneração do conselho de administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), liderado por Isabel dos Santos, o chefe de Estado deu posse à nova equipa da petrolífera estatal, que passa a ser comandada por Carlos Saturnino.

Continue a ser, para a nossa economia, a galinha dos ovos de ouro. Eis a razão por que fazemos este apelo, para que cuidem bem dela”, disse João Lourenço, na cerimónia realizada no palácio de presidencial, em Luanda.

Angola é atualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, atrás da Nigéria, com 1,6 milhões de barris de petróleo, produto que tem um peso de mais de 95% nas exportações angolanas. E a Sonangol é a empresa pública que explora os recursos petrolíferos. É ainda a maior companhia angolana com importantes investimentos fora do país, nomeadamente em Portugal onde tem interesses no capital da Galp e é a segundo maior acionista do BCP.

O até agora secretário de Estado dos Petróleos, Carlos Saturnino, foi nomeado e empossado como novo presidente do conselho de administração da Sonangol. Naquele cargo, o chefe de Estado empossou hoje Paulino Jerónimo, que até setembro foi presidente da comissão executiva da Sonangol.

O ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, pai de Isabel dos Santos, exonerou, por decreto que entrou em vigor a 26 de setembro, dia em que tomou posse o novo chefe de Estado, João Lourenço, três administradores executivos da Sonangol, incluindo Paulino Jerónimo, então presidente da comissão executiva.

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Já Carlos Saturnino, que agora passa a liderar o maior grupo angolano, totalmente público, foi até dezembro de 2016 presidente da comissão executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, tendo sido demitido por Isabel dos Santos, com a acusação de má gestão e de graves desvios financeiros. Mas a própria administração dirigida pela filha do ex-presidente de Angola também foi alvo de críticas. Até agora Isabel dos Santos manteve o silêncio.

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“Não é correto, nem ético, atribuir culpas à equipa que somente esteve a dirigir a empresa no período entre a segunda quinzena de abril de 2015 e 20 de dezembro de 2016”, respondeu na altura Carlos Saturnino, que em pouco mais de um mês como secretário de Estado dos Petróleos, nomeado por João Lourenço, tutelou a Sonangol a partir do Governo.

A empresária Isabel dos Santos, a filha mais velha de José Eduardo dos Santos, foi nomeada para presidente do conselho de administração da Sonangol, pelo pai, em junho de 2016, na altura com a tarefa de assegurar a reestruturação da petrolífera estatal angolana, a braços com graves dificuldades financeiras devido à queda do preço do petróleo, mas também a más decisões de investimento.

Uma das primeiras medidas anunciadas por José Lourenço é a necessidade de retomar a construção da nova refinaria de Angola, no Lobito, um projeto suspenso na gestão de Isabel dos Santos.

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Além de Isabel dos Santos, o Presidente angolano exonerou ainda Eunice Carvalho, Edson de dos Santos, Manuel Lino Carvalho Lemos e João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos dos cargos de administradores executivos, bem como Sarju Raikundalia, até agora administrador não executivo. Em substituição, o Presidente angolano nomeou, para administradores executivos, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, Luís Ferreira do Nascimento José Maria, Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto, Rosário Fernando Isaac, Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel e Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz.

Mantêm-se José Gime e André Lelo como administradores não executivos.