Cinema

“Liga da Justiça”: a geringonça dos super-heróis

173

Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Cyborg e Aquaman juntam forças e super-poderes para combater um vilão extraterrestre no novo filme de super-heróis da DC. Eurico de Barros dá-lhe duas estrelas.

Os filmes de super-heróis sucedem-se e repetem-se. Sejam da Marvel ou da DC, contam todos a mesma história. Um super-herói, ou um grupo de super-heróis, combate(m) um vilão que pode ser extraterrestre, mais para o sobrenatural ou para o “high tech”, ou então de carne e osso, que ameaça a Terra e/ou o planeta/local de origem de um (ou mais) dos super-heróis. Estes, depois de andarem às turras uns com os outros ou de meditarem gravemente sobre a sua condição e/ou o seu lugar na ordem das coisas, juntam-se, enfrentam e derrotam a(s) ameaça(s) e ficam à espera do que lhes darão para fazer no próximo filme. Que será, está claro, muito parecido com aquele que acabaram de protagonizar.

[Veja o “trailer” de “Liga da Justiça”]

Este “Liga da Justiça”, de Zack Snyder (que só rodou parte do filme e saiu do projecto devido ao suicídio de uma das filhas, sendo substituído por Joss Whedon) segue à risca este Modelo 1 (e único) dos filmes do género. A ameaça à Terra chama-se aqui Steppenwolf, uma criatura alienígena de características demoníacas que comanda um exército de criaturas robótico-insectóides, os Parademónios, é interpretada em “motion capture” por Ciarán Hinds e anda à procura de três caixas criadas por uma tecnologia superior, que, juntas, conferem um poder inimaginável a quem as tiver. E como costuma acontecer com estes vilões de topo de gama da maldade, Steppenwolf tem uma voz cava de quem precisa urgentemente de chupar uma embalagem inteira de rebuçados do Dr. Bayard.

[Veja as entrevistas com os seis principais intérpretes]

Com o fim de enfrentar o chifrudo Steppenwolf e os seus horrores alados, Batman (Ben Affleck, sempre canastrão esteja ou não a usar o uniforme do Homem-Morcego) convence a Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Cyborg (Ray Fisher) e Aquaman (Jason Momoa) a formar a Liga da Justiça, que é uma espécie de geringonça de super-heróis, só que competente, desinteressada, com verdadeiro sentido do serviço público e agradável à vista – sobretudo Gal Gadot, que deixa as irmãs Mortágua a anos-luz de distância. Lá para a frente no enredo, a Liga da Justiça vai receber um sexto membro, que toda a gente, mesmo quem segue estes filmes só por alto já adivinhou quem é, porque a surpresa não é o forte deste formato cinematográfico. (A propósito, Henry Cavill personifica o melhor Super-Homem desde Christopher Reeve).

[Veja imagens do filme]

De resto, é o chover no molhado digital e vistoso que um orçamento de 300 milhões de dólares permite. O vilão farta-se de fazer basófia antes de levar o que está mesmo a pedir, os super-heróis picam-se uns aos outros e gerem as suas questiúnculas pessoais antes de porem mãos à obra e tudo se resolve com a habitual espectacularidade monótona, barulhenta e destruidora movida a efeitos especiais, obra de uma legião de técnicos que prolongam cada vez mais a duração dos créditos finais. Jeremy Irons surge de novo num impassível Alfred cuja competência se estende da copa à coordenação da alta tecnologia produzida pelas empresas de Bruce Wayne, e Amy Adams continua a ser a melhor Lois Lane de todas.

[Veja os bastidores de “Liga da Justiça”]

Saliente-se que “Liga da Justiça” tem uma inverosimilhança imperdoável. Steppenwolf instala a sua hedionda base na Rússia, no coração de uma central nuclear desactivada, algo a que o presidente Putin reagiria de imediato enviando uns caças e lançando uns quantos mísseis nucleares. Ora no filme, não há nem sombra do governo russo ou das suas forças armadas. Na ficção como na realidade, os EUA continuam a menorizar e a desconsiderar grosseiramente o Kremlin. A fita termina com cenas dos próximos capítulos, que anunciam o regresso de um velho conhecido, e já dá mesmo para adivinhar o que aí vem. Ou não estivéssemos no previsível, familiar e repetitivo mundo dos filmes de super-heróis.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)