As primeiras perícias ao carro onde seguia a mulher baleada pela PSP, na madrugada de quarta-feira, em Lisboa, e às armas dos agentes envolvidos na operação de captura de dois suspeitos de um assalto a uma caixa multibanco contabilizaram 30 disparos, escreve o Jornal de Notícias (JN). O Diário de Notícias (DN) refere que há 20 marcas de disparos no próprio carro, um Renault Mégane preto, confundido com o Seat Leon em que seguiam os suspeitos do assalto na margem sul do Tejo, cerca de meia hora antes de a mulher, de origem brasileira, ter sido atingida.

O JN conta ainda que os suspeitos — que não seguiam no mesmo carro da vítima mortal — terão disparado um número incerto de balas contra os agentes da PSP. Os primeiros disparos dos suspeitos contra os agentes da PSP que os perseguiam aconteceram, como escreveu o Observador esta quarta-feira, cerca das 3h35 da madrugada, já em Lisboa, perto da zona do aeroporto. Na sequência desse confronto, a polícia perde o carro de vista e, minutos depois, o carro em que Ivanice Costa seguia é identificado no bairro da Encarnação, a mesma zona para onde os suspeitos se teriam dirigido.

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É aí que o Renault Mégane em que a mulher seguia, ao lado do condutor, desrespeita uma ordem de paragem de uma equipa ali posicionada. Segundo o relato da PSP, o carro terá tentado atropelar um dos agentes e, nesse momento, dão-se novos disparos, desta vez por parte dos agentes. Um dos disparos atinge Ivanice no pescoço, mas o condutor continua a marcha e só alguns metros mais à frente o carro é imobilizado pela PSP. A mulher aina recebeu assistência médica mas acabou por morrer no local vítima do ferimento de bala.

Seis dos sete agentes envolvidos nos disparos foram constituídos arguidos. Numa informação avançada ontem pelo Expresso, os elementos da PSP terão disparado de frente para o carro que julgavam ter estado envolvido no assalto à caixa multibanco. Um dado que poderá fazer a diferença na avaliação sobre um eventual uso abusivo de força, no processo que já foi aberto pela Inspeção-geral da Administração Interna e que corre a parte do inquérito-crime do Ministério Público, cuja investigação foi entregue à Polícia Judiciária.

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