Nove unidades móveis vão percorrer 708 aldeias e lugares da região Centro afetados pelos incêndios para sinalização das necessidades das famílias e esclarecimento dos cidadãos, agricultores e empresários, anunciou o Governo esta quinta-feira.

A primeira unidade móvel arrancou quinta-feira em Arganil, distrito de Coimbra, indo de porta a porta na aldeia de Vale de Moinho para esclarecer a população e sinalizar situações de necessidade social ou médica.

Na sexta-feira, começam também a funcionar unidades no distrito de Viseu e da Guarda, e, na próxima semana, estarão todas as nove unidades a funcionar, disse a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, que falava aos jornalistas antes de acompanhar o início dos trabalhos da unidade móvel, em Arganil.

Além de Coimbra, Viseu e Guarda, a iniciativa abrange também concelhos dos distritos de Aveiro e Leiria.

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As nove unidades, que vão contar com técnicos da Segurança Social, Notariado e Direção Regional de Agricultura, vão percorrer 18 concelhos em cinco dos 11 distritos afetados pelos fogos de 15 de outubro, acrescentou, sublinhando que poderá haver ajustes nos municípios abrangidos por esta medida “ao longo do tempo”.

O Governo, explanou Cláudia Joaquim, optou por dividir o plano de intervenção em três níveis.

No primeiro nível, 18 concelhos terão unidades móveis que vão “porta a porta” pelas aldeias a sinalizar e esclarecer as populações.

No segundo nível, estão concelhos que vão ter um “reforço do atendimento” nos espaços cidadão dos municípios, mas também nas próprias juntas de freguesia, e, no terceiro nível de intervenção, estão os territórios com “um pouco menos de necessidade” de um apoio tão próximo, estando previsto um reforço do atendimento, informou.

Para além dos reforços de atendimento e deslocações porta a porta dos técnicos, vai estar disponível a partir de segunda-feira “uma linha telefónica específica” para cada distrito “para contacto direto e sinalização imediata”.

Segundo Cláudia Joaquim, esta medida – implementada com uma lógica semelhante àquela que foi adotada após os incêndios de Pedrógão Grande – permite identificar as famílias que tenham sido mais afetadas, perceber os bens que perderam e as necessidades que têm, por forma a fazer-se um acompanhamento das pessoas e a estabelecer-se um plano de apoio.

As unidades, para além de esclarecerem as famílias sobre as prestações ou apoios sociais a que têm direito, vão também prestar informação sobre as ajudas disponíveis às empresas afetadas e agricultores, bem como tirar dúvidas sobre veículos ardidos ou emissão de certidões.

Na aldeia de Vale de Moinho, Maria América Carvalho, de 73 anos, ouviu a explicação da equipa da Segurança Social, depois de falar do que tinha perdido no incêndio.

“Muita força”, pediu a vogal do Instituto de Segurança Social, Sofia Pereira. “É pouca”, respondeu Maria América, cujo marido tinha ainda dificuldade em falar com os técnicos, no terraço da casa que ficou queimada.

António Martins, também habitante da aldeia, contou à agência Lusa que aproveitou para “tirar uns apontamentos” e esclarecer algumas dúvidas.

Tinham-lhe dito antes que não poderia ter apoio para o trator, mas os técnicos da unidade móvel esclareceram-lhe que afinal podia.

“Já é uma ajuda”, notou, sublinhando, porém, que ainda é tudo “muito confuso”.

A idade pesa e as pessoas sentem-se “desamparadas”, disse à Lusa António Martins.

Alice Santos, que olha para a casa destruída onde “nem uma agulha ficou”, dorme todos os dias na casa de uma prima, mas durante o dia vai para um pátio, onde almoça e faz a sua vida.

“Ainda ninguém nos disse nada, mas espero que nos deem alguma coisinha”, frisa Alice, de 73 anos, frisando que tem valido a ajuda de desconhecidos, amigos, vizinhos e familiares.