Isabel dos Santos sai da administração da Sonangol, mas deixa aos sucessores como uma linha de financiamento de dois mil milhões de dólares (1.700 milhões de euros), que permitirá à empresa chegar ao fim do ano sem dívidas aos parceiros. Este financiamento, com assinatura prevista para os próximos dias, é descrito como “um instrumento essencial para a gestão” da maior petrolífera pela ex-presidente da empresa que, segundo Isabel dos Santos, estava em pré-falência quando assumiu o cargo em 2016.

Um dia depois de ter sido afastada do cargo pelo presidente angolano — e minutos depois de aparecerem as suas primeiras publicações no Instagram — Isabel dos Santos emite um longo comunicado sobre a demissão da Sonangol. Neste comunicado, a filha de José Eduardo dos Santos despede-se dos colegas de administração da empresa, dos colaboradores e de todos aqueles “que confiaram em mim para liderar a recuperação da nossa empresa nacional de combustíveis”.

Isabel dos Santos descreve também de forma exaustiva todas as medidas e conquistas da sua administração de 15 meses, período no qual “não só conseguimos reequilibrar as contas da empresa, acabar com práticas nefastas do passado, mas também implementar uma verdadeira cultura de empresa organizada em torno de valores fundamentais, tais como o sentido de responsabilidade coletiva e individual, a excelência na execução, o respeito mútuo e espírito de equipa”. A ex-presidente reivindica ainda ter implementado uma cultura de transparência na empresa, que passou pela abertura à sociedade civil e pela “auditoria constante” da equipa de gestão.

A lista dos resultados que obteve enquanto presidente surge no mesmo dia em são divulgadas informações de um relatório entregue ao Governo angolano que aponta para ineficiências e burocracia na gestão da petrolífera no tempo de Isabel dos Santos que a filha do ex-presidente angolano entretanto desmentiu.

Lembrando que a Sonangol tinha pela primeira vez na sua história deixado de pagar no final de 2015 os seus compromissos junto da banca, Isabel dos Santos faz um diagnóstico devastador do estado da maior empresa angolana quando assumiu o cargo de presidente. “Em junho de 2016, a petrolífera encontrava-se em estado de emergência (…) numa situação de pré-falência”.

Perante a situação “crítica”, Isabel dos Santos elenca um conjunto de “resultados” obtidos pela administração que dirigiu, entre os quais:

  • Regularizar os pagamentos (cash-calls) de 2016
  • Reduzir a dívida financeira de 13 mil milhões para sete mil milhões dólares
  • Aumentar a receita de 14,8 mil milhões para 15,6 mil milhões de dólares
  • Identificar 400 medidas para cortar custos de 1,4 mil milhões de dólares, dos quais 380 milhões foram já aplicados
  • Aumentar a produção na refinaria de Luanda de 50 mil para 60 mil barris diários
  • Aumentar a produção de gás, tornar Angola autosuficiente em butano e exportar gás pela primeira vez
  • Não despedir pessoas
  • Promover 400 quatros angolanos
  • Iniciar produção de eletricidade
  • Redução de perdas e um resultado operacional de 100 milhões de dólares.

Destacando que deixa à nova gestão, liderada por António Saturnino, o tal financiamento de dois mi milhões de dólares, Isabel dos Santos realça que a sua gestão “garante ao Executivo as condições financeiras necessárias para a manutenção patrimonial da Sonangol, abrindo garantias de continuidade e crescimento para o futuro”.

Neste despedida, a ex-presidente destaca a equipa de “notável qualidade profissional e de ética inquestionável”, agradece aos trabalhadores e aos que aceitaram suspender carreiras em petrolíferas internacionais para trabalharem na recuperação da Sonangol. E deixa uma nota especial de consideração para os jovens angolanos que assumiram cargos de chefia.