Salvatore ‘Totò’ Riina foi o último grande capo dei capi, ou chefe dos chefes, da máfia siciliana. Foi responsável pela morte de mais de 150 pessoas, das quais 40 assassinou pessoalmente. Membro da máfia desde os 16 anos, Totò Riina matou desde a juventude e ainda hoje, aos 87 anos, continuava a dar ordens à organização a partir do interior da cadeia.

Morreu Totò Riina, o ‘capo dei capi’ da Máfia. Cumpria 26 penas perpétuas

O seu crime mais conhecido foi o assassinato dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992. Mas no seu cadastro encontram-se inúmeros outros assassinatos. Recordamos aqui cinco dos maiores crimes de Totò Riina, que morreu esta sexta-feira aos 87 anos.

[Veja aqui o vídeo sobre os crimes de Totò Riina:]

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O assassinato de Giovanni Falcone e Paolo Borsellino

Uma bomba na autoestrada e outra no carro

O juiz Giovanni Falcone e o procurador Paolo Borsellino foram as vítimas dos mais famosos crimes orquestrados por Salvatore Riina, porque foram eles que conduziram grande julgamento que em 1987 condenou 360 elementos da máfia, numa das maiores ações levadas a cabo pela Justiça italiana contra a Cosa Nostra. Foi o assassinato dos dois magistrados que levou Riina para a prisão de forma perpétua.

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Depois de emitidas as condenações do chamado Maxiprocesso di Palermo, Riina ordenou a dois dos seus homens de confiança, Giovanni Brusca e Nino Gioè, que tratassem do trabalho. Os dois homicídios foram executados com dois meses de diferença.

Primeiro foi morto o juiz Giovanni Falcone, em maio de 1992. Os mafiosos instalaram um dispositivo explosivo na autoestrada por onde ia passar o carro do magistrado e foi Brusca quem detonou, à distância, a bomba. Além do juiz, morreram também a sua mulher e três guarda-costas.

Borsellino foi morto dois meses depois, em julho de 1992, num atentado com um carro bomba, carregado com 100 quilogramas de dinamite, numa autoestrada em Palermo. O procurador ia visitar a sua mãe quando foi atingido pela explosão.

Os atentados à bomba em Florença, Roma e Milão

20 mortos em resposta ao caso Mãos Limpas

Um dos marcos mais sangrentos na história de crime de Salvatore Riina foi o envolvimento na série de atentados à bomba que assolaram várias cidades italianas na década de 1990.

Numa altura em que o caso ‘Mãos Limpas’ — uma mega operação da Justiça italiana, também conduzida pelo juiz Giovanni Falcone — abalava o funcionamento das instituições do estado italiano, pelo menos duas dezenas de pessoas morreram em ataques à bomba em todo o país levados a cabo pela máfia.

A organização exigia uma negociação das penas aplicadas aos seus membros no âmbito deste processo para terminar os atentados. A morte de Giovanni Falcone aconteceu precisamente neste contexto, e a abertura do Estado italiano à negociação com a máfia depois do assassinato do juiz acabaria por dar mais força à organização.

Por trás do planeamento de grande parte destes atentados esteve sempre Salvatore Riina. A associação de vítimas do atentado de Florença, uma das cidades mais afetadas por estes ataques (onde morreram cinco pessoas), já veio dizer que não perdoa o mafioso. “Que Deus o perdoe, porque nós não o faremos.”

O assassinato do ex-amigo Ignazio Salvo

Mandados matar para Riina mostrar quem manda

Ignazio e Antonio Salvo eram dois primos que subiram ao topo do poder económico na Sicília durante a década de 1980. Apesar de nunca se terem envolvido em assassinatos ou em tráfico de drogas, as atividades criminosas mais comuns da máfia, os Salvo tornaram-se membros influentes da Cosa Nostra graças à influência política que conquistaram junto das elites.

As guerras de poder internas levaram a que Riina, até então muito próximo dos Salvo, assumisse o lugar dos primos na liderança regional da máfia, quando as ligações dos dois Salvo à organização foram expostas. Contudo, Riina manteve-os ligados à máfia para não perder as importantes ligações políticas que eles representavam.

Antonio Salvo morreria de cancro em 1986 numa clínica na Suíça (apesar de haver o rumor de que poderá apenas ter encenado a morte e fugido para o Brasil). Já Ignazio Salvo foi assassinado a mando de Riina em setembro de 1992, depois de serem conhecidas as conclusões do Maxiprocesso.

Os dois primos, bem como o presidente da câmara da Sicília, com quem tinham uma relação privilegiada, não conseguiram evitar as sentenças emitidas pelos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, e o seu homicídio foi encomendado por Riina como forma de passar uma mensagem à esfera política relativamente ao poder da máfia, caso as condenações não fossem reduzidas.

O massacre da Avenida Lazio

Assassinado no escritório por mafiosos vestidos de polícias

Michele Cavataio foi, durante a década de 1960, o líder do mandamento de Acquasanta (uma das facções da máfia siciliana, dividas por territórios de atuação). Considerado um dos principais promotores da primeira guerra da máfia, Cavataio foi o responsável por vários ataques a outras fações da organização criminosa, assassinando vários líderes e quebrando o período da chamada pax mafia (acordo de paz entre as diferentes facções da máfia).

Em 1968, os líderes de várias facções juntaram-se numa reunião secreta em Zurique e decidiram assassinar Cavataio, para eliminar a ameaça à paz entre os vários grupos mafiosos. Foi constituído um grupo de membros especialmente destacado para o homicídio, no qual foi incluído Riina. O objetivo da diversidade de elementos do grupo teve precisamente o objetivo de mostrar que todas as facções estavam concertadas no objetivo de acabar com Cavataio.

O grupo de assassinos vestiu-se com uniformes da polícia e, às 19h30 do dia 10 de dezembro de 1969, invadiram o escritório onde Cavataio trabalhava. Riina ficou no carro a coordenar a operação e os restantes cinco entraram na sala de reuniões, onde Cavataio e outros membros da empresa de construção estavam reunidos. Em poucos minutos foram disparadas 108 balas. Cinco pessoas acabaram por morrer: Cavataio, três dos elementos da empresa e ainda um dos atacantes.

O assassinato do general Carlo Alberto dalla Chiesa

Forçado a sair da estrada e abatido dentro do carro

Carlo Alberto dalla Chiesa foi um general italiano designado em 1982 pelo governo para assumir a câmara de Palermo, na Sicília, com o objetivo de acabar com a violência provocada pela máfia. Na altura vivia-se a segunda guerra das máfias e dezenas de pessoas eram assassinadas a mando dos líderes mafiosos.

Contudo, não durou muito tempo lá. Em maio de 1982 foi nomeado, em setembro do mesmo ano foi assassinado a mando de Salvatore Riina, apostado em garantir que ninguém se metia nos assuntos da máfia siciliana.

Um conjunto de homens da confiança de Riina, montados em motos, surpreenderam o carro onde o general passeava com a mulher, durante a noite, forçaram-no a desviar-se da estrada, acabando por embater num outro carro. Depois, os homens dispararam sobre o casal e tanto o general como a mulher morreram no local.

São vários os documentários sobre o mafioso, o Padrinho de Corleone:

https://www.youtube.com/watch?v=r1ajxi1I9Sc