Ciência

Uma equipa de investigadores descobriu uma floresta fossilizada na Antártida

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Foi descoberta uma floresta fossilizada na Antártida, um dos continentes mais frios e secos do planeta. A paisagem deste continente terá sido muito diferente daquilo que é hoje.

Foram encontrados fragmentos fósseis de 13 árvores com mais de 260 milhões de anos na Antártida.

Há uma floresta fossilizada na Antártida. Foi por entre as rochas cinzentas que afloram num campo de gelo nos Montes Transantárticos que uma equipa de geólogos descobriu fragmentos fósseis de 13 árvores com mais de 260 milhões de anos, o que corresponde ao período final do Pérmico, como explica a National Geographic.

A expedição decorreu entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, mas só no final a equipa deu conta deste achado que prova a existência de um passado verde e florestal no continente mais frio e seco do planeta.

Os fósseis encontrados preservam as características biológicas e químicas das árvores, que vão agora permitir que os investigadores percebam como é que algumas plantas conseguiram sobreviver em ecossistemas de alta latitude e outras não. Para além disto, os microorganismos e os fungos também ficaram preservados na madeira.

São realmente algumas das plantas fósseis mais bem preservadas do mundo”, “os fungos na própria madeira provavelmente foram mineralizados e transformados em pedra numa questão de semanas, em alguns casos, provavelmente, enquanto a árvore ainda estava viva. Essas coisas aconteceram incrivelmente rápido. Poderia ter testemunhado isto em primeira mão se estivesse lá”, contou Erik Gulbranson, professor na Universidade de Wisconsin-Milwaukee.

De acordo com Gulbranson, que integrou a equipa de expedição, “o continente como um todo era muito mais quente e húmido do que é atualmente”. A paisagem terá, em tempos, sido uma densa floresta, com plantas resistentes a extremos polares, tal como acontece na atual Sibéria.

No final do Pérmico, o único supercontinente que existia até então, a chamada Pangeia, começou a separar-se, dando origem a dois supercontinentes, o Gonduana e a Laurásia – que se definiram completamente durante o Triássico. No primeiro, situado a sul, os verões eram passados com muita luz solar, enquanto os invernos eram muito escuros; no segundo, o calor era muito intenso.

O Gonduana situava-se no hemisfério sul e a Laurásia no hemisfério norte.

A Antártida era então parte constituinte do Gonduana. As espécies pré-históricas adaptaram-se ao clima instável ali existente durante o Pérmico, tendo sido a separação total da Pangeia o momento que provocou a extinção de mais de 90% das espécies marinhas e 70% dos animais terrestres.

A equipa de investigadores pretende continuar à procura de mais vestígios na Antártida durante as próximas semanas e alguns elementos do grupo já se encontram em campo.

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