Donald Trump, Coreia do Norte, China e Irão: foram estes os temas que dominaram a entrevista que o Financial Times fez a António Guterres, atual Secretário Geral das Nações Unidas.

Em jeito de retrospetiva, o ex-primeiro-ministro português começa por falar da sua saída do país, explicando que quando abandonou a esfera política nacional foi “atacado por muitas pessoas”, mas “não disse nada”. “Hoje, claro, toda a gente fala bem de mim, mas só porque saí de Portugal”, acrescenta.

É sobre relações internacionais que Guterres se debruça com mais afinco, realçando primeiro o papel que a nova América de Donald Trump pode ter. Por muito que esta possa ter parecido ameaçadora, no início, hoje a situação está mais calma. “Evitámos um cenário de disrupção com os EUA”, conta, acrescentando que os EUA estão a “pagar todas as suas dívidas”.

Ainda sobre Trump, o ex-governante começa por realçar que entre os dois existe apenas uma “relação profissional”, facto justificado pelas grandes divergências de pontos de vista. O líder máximo da ONU diz, em jeito de brincadeira: “Não sou um tweeter profissional”. Mas retoma a seriedade quando menciona outro grande fosso que existe entre os dois: as questões ambientais. “Não estamos de forma alguma em concordância nos assuntos relacionados com as mudanças climáticas”, explica, antes de acrescentar que não pode fazer nada em relação a isso.

Nos tempos que correm é muito complicado falar de Donald Trump sem mencionar a Coreia do Norte. Sobre o regime de Kim Jong Un, Guterres diz-se “muito preocupado” e afirma que neste momento, essa situação “é extremamente imprevisível”. Apesar disso, há esperança. Por muito que esta “imprevisibilidade” seja “um risco muito grande”, as Nações Unidas podem ter uma palavra a dizer sobre o assunto, desde que o seu papel se mantenha “muito discreto”.

A China, outro elemento incontornável da atual situação geopolítica mundial, também é mencionada no trabalho publicado pelo jornal inglês. “Acredito que me veem [China] como um amigo”, começa por afirmar. António Guterres admite ainda que Pequim está a ter “um papel cada vez mais importante” em assuntos relacionados com a segurança, chegando até a envolver-se diretamente em missões de manutenção da paz levadas a cabo pela ONU.

Resta destacar ainda a posição do português em relação ao Irão. Sobre esse assunto, Guterres diz que a situação “não é crítica”, apesar de Trump ameaçar retirar os EUA do acordo com o Irão (que implica o desanuviar de sanções económicas em troca do congelamento do programa de desenvolvimento nuclear). “O acordo com o Irão reduz o risco de proliferação” das armas nucleares, explica.

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