As eleições presidenciais chilenas realizam-se este domingo, com uma lista de oito candidatos, num escrutínio em que também se renova a Câmara dos Deputados e parte do Congresso, e que poderá ter uma segunda volta. No final da campanha eleitoral, a maioria das sondagens apontavam como vencedor o empresário Sebastián Piñera, de 68 anos, que já presidiu ao Chile entre 2010 e 2014.

A sondagem de sexta-feira passada do Centro de Estudos Públicos (CEP), uma das mais fiáveis, atribuía a Sebastián Piñera (Chile Vamos, direita) 44,4% dos votos, seguido de Alejandro Guillier (Fuerza de Mayoría, centro-esquerda), com 19,7%, e de Beatriz Sánchez (Frente Amplio, esquerda), com 8,5%.

Todavia, a maioria das sondagens não esclarecia se seria ou não necessária uma segunda volta, a 17 de dezembro, para eleger o próximo chefe de Estado, num eventual confronto com o senador independente Alejandro Guillier, conhecido jornalista da rádio e televisão que é candidato pela coligação progressista Fuerza de Mayoría, nome adotado pelo partido no poder após a saída da Democracia Cristã.

Este escrutínio, em que se prevê uma elevada abstenção, realiza-se sob novas regras que contribuem mais ainda para a incerteza dos resultados.

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A mudança de quadro legal afeta desde o financiamento das campanhas eleitorais à atribuição de mandatos parlamentares, passando pela composição das candidaturas, nas quais devem figurar pelo menos 40% de mulheres.

Além disso, cerca de 40.000 chilenos residentes em 59 países do mundo estão habilitados a votar pela primeira vez numa eleição presidencial.

Se vencer o candidato da direita, ocorrerá um duplo ‘dejá vu’ presidencial, com o Chile a ser governado em 16 anos pelas mesmas duas pessoas: Michelle Bachelet (2006-2010 e 2014-2018) e Sebastián Piñera (2010-2014 e 2018-2022).

A vitória de Piñera representará também, na América do Sul, o fim de um ciclo de hegemonia da esquerda, afastada do poder no Brasil e na Argentina, e o regresso no Chile a um sistema multipartidário assente na tradição política do país.

Sebastián Piñera, que foi, em 2010, o primeiro político da direita chilena a subir ao poder pela via democrática em 50 anos, candidata-se agora à reeleição para reverter as reformas da era Bachelet e colocar o país naquele que ele considera o caminho do crescimento e do progresso.