Ensurdecedor. É tanto o ruído (do primeiro ao derradeiro minuto) no estádio do Besiktas que “ensurdecedor”, aqui, não é um adjetivo: é uma categoria na escala que em decibéis classifica o nível de ruído que o ouvido humano pode captar.

Habitualmente, o ruído causado pelos adeptos turcos na Vodafone Arena aproxima-se dos 130 decibéis – em nenhum outro estádio, na Liga dos Campeões, foi captado um ruído como este. Um valor que é superior, por exemplo, ao de um martelo pneumático a perfurar alcatrão, ao de um concerto de heavy metal ou, ainda, superior à descolagem de um avião a jato — sendo idêntico, a título de exemplo, ao do disparo de uma arma de fogo.

Coisa “pouca”, portanto.

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Besiktas-FC Porto, 1-1

Vodafone Arena, em Istambul

Árbitro: Mateu Lahoz (Espanha)

Besiktas: Fabri; Adriano, Pepe, Tosic (Gary Medel, 46’) e Arslan; Hutchinson, Gonul e Talisca (Ozyakup, 87′); Quaresma (Negredo, 91′), Ryan Babel e Cenk Tosun

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Suplentes não utilizados: Zengin, Mitrovic, Lens e Caner Erkin

Treinador: Senol Günes

FC Porto: José Sá; Maxi Pereira, Felipe, Marcano e Alex Telles; Danilo, Herrera (Reyes, 90′) e Sérgio Oliveira; Ricardo Pereira (Corona, 79′), Brahimi e Aboubakar

Suplentes não utilizados: Casillas, Layún, André André, Óliver e Hernâni

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Felipe (29’) e Talisca (41’)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Sérgio Oliveira (9’), Maxi (22’), Talisca (43’) e Gonul (65’)

Felipe, o central Felipe, improvável Felipe, conseguiu (por segundos, é certo) silenciar o estádio, silenciar 130 decibéis. Foi ao minuto 29.

Antes, dez minutos antes, o Besiktas até esteve primeiro próximo de marcar. O remate de Ryan Babel é frontal, ainda distante da baliza, e José Sá (talvez surpreendido pelo efeito enviesado que a bola ganhou) só conseguiria defender para a frente. Cenk Tosun tentou a recarga mas Felipe (sempre ele o “pronto-socorro” na defesa) chegou primeiro e despejou para canto. Mas voltando a Felipe e ao golo portista: o livre era à direita e a defesa do Besiktas esperava que Alex Telles o batesse de canhota para o interior da grande área. Não bateu. Ricardo tocaria a bola para o lado, desmarcou-se no flanco e Alex devolveu-lha. Depois, o extremo cruzou atrasado e Felipe, num remate de primeira, bateu o compatriota Fabri.

[Uuuuu-u-uhuhuhuhuh — piou a coruja.]

O Besiktas reagiu. Aos 39 minutos, Adriano, num passe longo e preciso, isolou Quaresma dentro da área, nas costas da defesa do FC Porto – não era a “metade” de Felipe; era o lado esquerdo, o de Marcano. O extremo português do Besiktas recebeu a bola no pé direito e, prontamente, rematou com o esquerdo, mesmo nas barbas (longas e ruivas) de José Sá. O guarda-redes defenderia a custo para a frente e Felipe tratou do resto, despejando a bola para bem, bem longe. O FC Porto também, e passe o pleonasmo, reagiria à reação turca.

No minuto seguinte ao remate de Quaresma, Ricardo ganha a frente a Arslan na direita, cruza para a grande área, Aboubakar antecipa-se a Pepe e remata. O remate sairia (culpe-se, aqui, a pressão do central) centímetros acima da barra.

É certo que Felipe silenciou a Vodafone Arena. Mas ao minuto 41 fê-la ebulir em ruído. Cenk Tosun é avançado, o mais adiantado dos avançados turcos, alto, entroncado, pesadão. Lento? Não. Tosco? Menos ainda. Felipe sentiu que, à esquerda, quando a bola chegou a Tosun, se encostaria a ele e, facilmente, lha surripiaria. Quando lá chegou, Cenk Tosun fez-lhe uma “chapelada” e seguiu em direção à grande área. Lá chegado, e com a defesa portista em contra-pé, cruzou rasteiro para a “boca” da baliza e Talisca só precisou de encostar para o empate. Um empate com que se chegaria ao intervalo.

Após o recomeço, por estratégia ou fadiga, a verdade é que o FC Porto pura e simplesmente (e isso foi mais evidente no primeiro quarto de hora) entregou a bola ao Besiktas, recuou no relvado – e a pressão era menos intensa do que antes se vira. O Besiktas, mais do que ter bola — e a posse chegou aos 73% –, rematou. Minuto: 58. Um, dois, três, vindo da esquerda para a entrada da grande área, Babel driblou este mundo e o outro. Quando teve uma nesga de espaço para rematar, rematou. E acertaria em cheio na barra, mesmo no canto superior direito. Ufffff!

Aos 62, na derradeira ocasião de golo do encontro – a certa altura, Besiktas e FC Porto deram-se por satisfeitos com um empate que apurava os turcos e quase apurava os de cá –, Quaresma, em velocidade, sempre com a bola controlada, “entortou” os rins a Maxi e deixou-o estatelado no relvado com um drible “à Quaresma”. Depois, de canhota, rematou à entrada da área. O remate era colocado e José Sá teve que se esticar todo para o defender.