O grupo já tinha avisado que a nova estratégia é voltar atrás, neste caso voltar às origens, “back to the basics”, que fizeram da Altice um grande grupo internacional com presença incontornável na França, Estados Unidos e Portugal. E o regresso a uma receita de negócios que fez sucesso passa por fazer voltar e promover os homens que estiveram por trás da história dos êxitos iniciais. Uma história que agora aparece comprometida por resultados aquém dos esperados, quedas sucessivas em bolsa e a desconfiança de que o grupo francês não conseguirá entregar os resultados que prometeu.

Em França, os dois maiores acionistas, Patrick Drahi e Armando Pereira, reforçaram o papel e poderes na última reorganização anunciada este mês. Em Portugal foi seguido o mesmo caminho. Para assumir a presidência executiva da Portugal Telecom, foi escolhido Alexandre Fonseca. Um homem que já estava na equipa gestora da PT desde a entrada da Altice em 2015 e que veio da ONI. Fonseca foi presidente executivo desta operadora comprada em 2013, naquele que terá sido o primeiro investimento do grupo francês no mercado português. Alexandre Fonseca também esteve ligado à Cabovisão, empresa de cabo comprada em 2014. A Altice teve de se desfazer destas empresas quando comprou a PT Portugal, mas levou o gestor consigo.

Em comunicado, a PT confirma que a nova estrutura “representa um retorno à organização inicial que fez crescer e credibilizou o grupo Altice no mundo.” Pretendem-se “líderes experientes e conhecedores da história do grupo, privilegiando a proximidade, o conhecimento, a eficiência na ação e a satisfação do cliente”. Uma condição que não seria cumprida pela antecessora no cargo. Claudia Goya veio da Microsoft no Brasil para assumir o cargo em julho e a convite do então presidente executivo da Altice, Michel Combes, que se demitiu no início do mês.

Mas não é apenas a experiência que está em causa, é também uma questão de confiança, como explicou o fundador do grupo em mensagem aos colaboradores da PT. Patrick Drahi conta porque pediu a Alexandre Fonseca para assumir as funções de CEO da Portugal Telecom. “O Alexandre tem toda a nossa confiança e tem uma grande experiência em telecomunicações, em inovação e em tecnologia, no seio do nosso grupo”

Na Portugal Telecom, Alexandre Fonseca foi a cara do projeto de expansão da fibra ótica cuja cobertura chegou a mais de quatro milhões de casas, segundo números divulgados recentemente. Tinha ainda a seu cargo a Altice Labs, sucessora da PT Inovação, a área do grupo que promove soluções inovadoras de tecnologia. Mas para a maioria dos portugueses, Fonseca foi a cara da PT na polémica sobre as falhas na rede de comunicações de emergência, atribuídas à operadora durante os fogos do verão. Foi o administrador com o pelouro da tecnologia, e não a presidente, que deu explicações públicas sobre o envolvimento da PT no SIRESP.