A CIP está disponível para discutir o salário mínimo, mas indisponível para uma negociação “redutora” centrada apenas nessa questão, pois há que acautelar a competitividade das empresas, afirmou em Bruxelas o presidente da confederação, António Saraiva.

Em declarações aos jornalistas após uma série de reuniões na sede da Comissão Europeia, António Saraiva, questionado sobre as reações às suas recentes declarações sobre a matéria — numa entrevista no domingo o presidente da CIP manifestou-se indisponível para negociar uma proposta do PCP de um salário mínimo de 600 euros — disse não saber “por que é que teve a reação que teve”.

“Eu continuo a dizer sobre o salário mínimo o mesmo que sempre tenho dito enquanto presidente da CIP. Estamos disponíveis, como sempre estivemos, para discutir o salário mínimo, sabendo como sabemos que há uma proposta seguramente do Governo, honrando o compromisso que o PS tem com o Bloco de Esquerda, de apresentar para início de discussão os 580 euros. Estamos disponíveis para discutir esse valor”, disse.

“Não estamos é disponíveis para discutir apenas salário mínimo, porque um futuro acordo para 2018 em sede de Concertação Social deve conter um conjunto de matérias que visem a melhoria das competências das empresas através da qualificação dos recursos humanos, devem visar melhoria dos custos de contexto — a energia, a burocracia, a justiça -, enfim, devem conter um conjunto de aspetos que melhorem a competitividade da economia, não centrar apenas a discussão — porque isso é demasiado redutor, no salário mínimo”, sustentou.

O presidente da CIP reiterou então que a confederação do patronato vai “entrar nessa discussão com a disponibilidade” com que entrou, mas não quer é “circunscrever-se apenas e só ao salário mínimo”.