O responsável pela disciplina de voto do partido no poder no Zimbabué, o ZANU-PF, disse esta terça-feira que Emmerson Mnangagwa, recentemente destituído do cargo de vice-Presidente, vai assumir o poder no país no prazo de 48 horas.

Lovemore Matuke disse à agência Associated Press que Mnangagwa, que fugiu do Zimbabué depois de ter sido afastado por Robert Mugabe, “não se encontra longe” da capital, Harare.

O dirigente político falava à AP pouco depois de o presidente da assembleia nacional do Zimbabué (a câmara baixa do Parlamento) ter anunciado que o Presidente, Robert Mugabe, tinha resignado terça-feira ao cargo – “com efeito imediato” – após 37 anos no poder.

Matuke disse que os dirigentes do ZANU-PF estão ansiosos para que Mugabe proceda à transferência do poder, “para que Mnangagwa se mexa rapidamente e trabalhe pelo país”.

O anúncio feito por Jacob Mudenda foi recebido com aplausos e vivas por parte dos deputados, que se encontravam reunidos desde o princípio da tarde para iniciar o processo de destituição do Presidente.

Na sua carta de demissão, Mugabe diz que se afasta do cargo para que possa haver “uma transição de poder” tranquila, após 37 anos em funções.

“Eu, Robert Gabriel Mugabe (…) apresento formalmente a minha demissão de Presidente da República do Zimbabué, com efeitos imediatos”, escreveu Mugabe na carta lida por Jacob Mudenda.

“Demito-me voluntariamente. (…) Esta decisão foi motivada pelo (…) meu desejo de garantir uma transição do poder sem problemas, pacífica e não violenta”, explicou ainda Mugabe.

O anúncio da demissão de Mugabe foi recebido com vivas e aplausos na assembleia nacional do Zimbabué, mas também nas ruas da capital, Harare, onde os cidadãos começaram a apitar as buzinas dos automóveis.

A atual crise política no Zimbabué começou quando os militares tomaram o controlo do país na noite do passado dia 14, depois de, na semana anterior, Mugabe, de 93 anos, ter destituído o seu vice-presidente e aliado de longa data, Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, que tinha estreitas ligações com os militares.

Mugabe, até agora o mais velho chefe de Estado do Mundo, enfrentava um processo de destituição baseado em várias acusações, entre as quais a de que teria “permitido à sua mulher usurpar o poder constitucional” ou que estaria demasiado velho para governar.