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Marte

Fluxos sazonais de água em Marte são, afinal, de areia

Um estudo afirma que os traços escuros que aparecem sazonalmente nas encostas de Marte são resultado de fluxos de areia e pó, não de água na subsuperfície do planeta.

NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Os traços escuros nas encostas de Marte que, em 2015, a NASA disse serem resultado do fluxo de água na subsuperfície do planeta são, afinal, resultado de fluxos de areia e poeira, diz um estudo publicado na segunda-feira na Nature Geoscience.

Estes traços, denominados RSL (recurring slope lineae, o que pode ser traduzido para algo como ‘linhas recorrentes nas encostas’), motivavam a ideia de que água fluia no subsolo marciano. No entanto, o fluxo que dá origem a estes traços tem características que correlacionam mais com o de areia em dunas do que com o de água no subsolo, dizem os investigadores.

A equipa responsável pelo estudo tem representantes do Serviço Geológico dos Estados Unidos (US Geological Survey), do Instituto de Ciência Planetar (Planetary Science Institute), da Universidade do Arizona e da Universidade de Durham, em Inglaterra. Este foi feito com base em observações da câmara de alta resolução do Mars Reconnaissance Orbiter.

As RSL, descobertas em 2011, aparecem sazonalmente nas encostas de Marte – mais especificamente, no Equador, nas planícies do norte e nas latitudes médias do Sul – e ninguém sabe bem porquê. Os traços surgem todos os anos na época mais quente do planeta e vão ficando mais longos e escuros até desaparecerem com a chegada do inverno. A sua sazonalidade dava a entender que era água a fluir, mas os cientistas não compreendiam o porquê de só surgir nas encostas mais íngremes.

Esta encosta de Marte apresenta vários dos traços conhecidos como ‘RSL’, que um novo estudo diz serem resultado de fluxos de areia e poeira. Foto: NASA/JPL-Caltech/UA/USGS

Os cientistas responsáveis pelo estudo decidiram então analisar 10 locais onde se encontravam as RSL, descobrindo que os traços, independentemente da encosta, terminavam todos em pontos semelhantes. Se fosse uma substância líquida, os traços variariam em encostas de diferentes longitudes. O estudo indica que estes se comportam como grãos de areia em dunas pois assentam no mesmo “ângulo de repouso”. “Não pode ser coincidência”, disse Alfred McEwen, um dos investigadores.

Isto não quer dizer, no entanto, que não exista água em Marte. Os polos de Marte contém bastante gelo, bem como a subsuperfície. Além disso, há sais que conseguem absorver vapor de água da atmosfera e, nalgumas condições, formar líquido.

Foram estes sais hidratados, aliás,uma das razões que levaram cientistas a crer que água podia estar envolvida na formação das RSL. E talvez até estejam, diz o mais recente estudo. A presença do vapor de água e a hidratação dos sais podem desencadear a formação da RSL — o que, ainda assim, não explica o porquê de os traços aparecerem numas encostas e noutras não. Apesar de tudo, a existência de líquido na superfície, dizem os cientistas, é pouco provável.

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